quarta-feira, 22 de abril de 2015

A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM TEMPOS DIGITAIS: O USO DAS TIC EM SALA DE AULA

EDUCATION OF YOUNG PEOPLE AND ADULTS IN DIGITAL TIMES: THE USE OF ICT IN THE CLASSROOM

Hélida Paixão Rodrigues de Barros[1]
Silvano Messias dos Santos[2]
Joseval dos Reis Miranda3

RESUMO:
No contexto de uma nova dimensão dada à práxis educacional no início deste século, em virtude da introdução das Tecnologias de Informação e Comunicação no ambiente escolar, o presente artigo apresenta o resultado de uma pesquisa de cunho qualitativo realizada em uma escola pública estadual de Bom Jesus da Lapa – BA. Para realização da pesquisa, foram utilizadas as técnicas da observação participante, entrevista e análise documental, tendo como interlocutores professores da Educação de Jovens e Adultos, coordenadora e estudantes dessa modalidade. Objetivamos analisar quando – e como – os docentes utilizam pedagogicamente as TICs no desenvolvimento de suas disciplinas na Educação de Jovens e Adultos. O presente trabalho discute as possibilidades e os desafios de se usar as TICs na Educação de Jovens e Adultos como ferramenta pedagógica auxiliar no processo de ensino-aprendizagem, suscitando reflexões sobre a necessidade da inserção de tais recursos nas aulas dessa modalidade educativa, uma vez que esse público está inserido em uma sociedade cada vez mais marcada pela presença da tecnologia e precisa, portanto, conhecê-la e dominá-la. As análises apresentadas neste estudo possibilitaram a elaboração de algumas reflexões acerca dos limites e das possibilidades das tecnologias digitais para que possam sair da condição de excluídos para a condição de sujeitos familiarizados com a cultura digital.

Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos. Tecnologias da Informação e Comunicação.  Processo de ensino-aprendizagem.

ABSTRACT:
In the context of a new dimension given to the educational practice at the beginning of this century, due to the introduction of Information and Communication Technologies in the school environment, this article presents the results of a qualitative research conducted in a state school of Bom Jesus da Lapa - BA. For the research, the techniques used were participant observation, interview and documentary analysis, and teachers as interlocutors of Youth and Adults, students and coordinator of this type. We aimed to analyze when - and how - the teachers use ICT pedagogically in the development of their disciplines in the Youth and Adult Education. This paper discusses the possibilities and challenges of using ICT in Education for Youth and Adults as a pedagogical tool to assist in the teaching-learning process, prompting reflections on the need for the inclusion of such resources in the classroom this educational method, since that audience is part of a society increasingly marked by the presence of technology and therefore needs to know it and master it. The analysis presented in this study allowed for the creation of some reflections on the limits and possibilities of digital technologies so that they can get out of condition for the condition of excluded subjects familiar with digital culture.

Keywords: Youth and Adult Education. Information Technology and Communication. Teaching-learning process.

Considerações iniciais

O presente artigo tem por finalidade analisar quando e como os professores utilizam pedagogicamente as Tecnologias da Informação e Comunicação - TICs no desenvolvimento de suas aulas na Educação de Jovens e Adultos, tendo como objeto de estudo o Colégio Estadual Monsenhor Turíbio Vila Nova, situado no Bairro Amaralina, na cidade de Bom Jesus da Lapa – BA. A referida instituição, que atende ao público do Ensino Médio, trabalha também com a modalidade Educação de Jovens e Adultos, acolhendo jovens, adultos e idosos de diferentes bairros, pertencentes a uma classe socioeconômica baixa e que vivem em situação de vulnerabilidade social.                                                   No intuito de analisarmos as possibilidades e os desafios de utilizar as TIC na Educação de Jovens e Adultos como ferramenta pedagógica auxiliar no processo de ensino-aprendizagem, este trabalho nasce de uma pesquisa de campo cujo foco foi refletir sobre a presença das Tecnologias de Informação e Comunicação nas práticas educativas no cotidiano de jovens e adultos, por meio da observação participante, análise documental e entrevistas feitas com docentes, gestor, coordenador e alunos da Educação de Jovens e Adultos, do Colégio Estadual Monsenhor Turíbio Vila Nova.
Para isso, a metodologia utilizada na pesquisa foi de inspiração qualitativa, por esta se configurar como a mais indicada para esse tipo de trabalho, porque segundo Ludke (1986, p.13), “envolve a obtenção de dados descritivos, no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes”.          Inicialmente, apresentaremos algumas ideias sobre as TICs e como esta se configura na nossa sociedade, tida como sociedade da informação e comunicação, para num segundo momento tratarmos do papel que essas tecnologias podem exercer no contexto da Educação de Jovens e Adultos, ressaltando o processo de exclusão/inclusão vividos por esses sujeitos nos mais variados setores da chamada “era digital”. E, finalmente, abordaremos as questões “quando”, “como” e “por que” os professores desta modalidade educacional usam as TIC no desenvolvimento de suas disciplinas, bem como a relação que esses estudantes estabelecem com a tecnologia dentro do ambiente escolar.

Os sujeitos da Educação de Jovens e Adultos: quem são, de onde são e qual o seu perfil?

Ao longo de sua história, o Brasil tem enfrentado o problema da exclusão social que suscitou grande impacto nos sistemas educacionais. Assim, a Educação de Jovens e Adultos tornou-se temática preocupante e de real significado no atual contexto educacional brasileiro, em consonância com a Constituição Federal de 1988 e outras leis que anseiam por uma educação de qualidade que proporcione a concretização da cidadania, a garantia de direitos e o acesso è escola por todos os cidadãos e cidadãs. Convém salientar, entretanto, que o exercício desse direito, como sabemos, é um desafio que impõe decisões “inovadoras”.  
A Educação de Jovens e Adultos, embora muito discutida nos últimos anos, sempre ocupou um espaço marginal em relação à escolarização formal. Os investimentos em várias campanhas, programas e projetos tanto federais quanto estaduais e municipais voltados para a alfabetização de jovens e adultos apontaram poucos avanços, pois, entre outros fatores, se configuravam em processos descontextualizados da realidade dos seus participantes e constituíam-se apenas na possibilidade da leitura e da escrita, às vezes de caráter assistencialista, sem a preocupação da continuidade destes nos sistemas de ensino, não havendo inquietação com a causa da inclusão social, política, econômica e cultural.         
A LDBEN nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, notadamente no art. 37, define a Educação de Jovens e Adultos como uma modalidade de educação “destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. Assim, podemos dizer que, na intenção de oferecer a todos – inclusive ao jovem, adulto e ao idoso - o acesso à escola, múltiplos ideais e propostas educacionais vinculados a essa modalidade educacional ganharam destaque em forma de projetos, campanhas, movimentos e leis, tanto nacional quanto internacionalmente.     
A proposta de universalização, solidariedade democrática e justiça social para a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nos artigos 37 e 38, que tratam da Educação Básica, determinam que todo cidadão independente de cor, raça, credo, nível social, tem direito à gratuidade da educação básica, quando oferecida pelo poder público, e adequação às características dos alunos, seus interesses, condições de vida e trabalho. E aí, perguntamos: tais princípios estão realmente sendo postos em práticas, no que tange a Educação de Jovens e Adultos ou simplesmente estão no papel?              No que se refere ao dever do Estado com a educação, conclui-se que este tem a obrigação de ofertar educação escolar pública mediante a garantia de “ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria” (LDBEN, art. 4, 1996). Vai além, ao definir como dever do Estado a oferta


Art.4º - de educação regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola (BRASIL, 1996).


Como sabemos, o conceito de educação sofreu profundas mudanças nos últimos anos. Mas, afinal, o que é educação? Atribuindo à educação um sentido amplo, que suplante os muros das escolas, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, 1996) abriu caminho institucional aos processos educativos que ocorrem em espaços não-formais ao definir educação como aquela que abrange “os processos educativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. (Art. 1° LDBEN, 1996).                      
Sabemos que os estudantes da Educação de Jovens e Adultos construíram uma trajetória escolar fora dos padrões definidos pela escola regular, são jovens, adultos e idosos de diferentes gerações, com gostos, crenças, valores e interesses diferentes, portanto, com experiências, conhecimentos e histórias de vida diferentes. Entendendo a educação em uma perspectiva abrangente, que vá além da sala de aula, Freire (1989) defende que a educação de jovens e adultos deve ir além do “simples ensinar a ler, escrever e contar”, pois muito além das exigências do domínio de habilidades da leitura e da escrita vão as novas demandas do mundo contemporâneo para o exercício pleno da cidadania.
Desse modo, compreender as especificidades dos educandos da Educação de Jovens e Adultos requer o despertar de um olhar sensível sobre a questão, de modo que o respeito e a valorização das diferenças sejam legitimados. Em suma, podemos assegurar que a especificidade dos alunos da Educação de Jovens e Adultos decorre do fato de serem jovens, adultos ou idosos, experientes, trabalhadores ou pretendentes à (re) inserção no mercado de trabalho, com uma história de vida definida e com experiências concretas.         
Portanto, é preciso encarar a Educação de Jovens e Adultos como uma concepção de direito à educação para todos. E não basta apenas abrir as portas das instituições escolares e permitir que esses sujeitos simplesmente adentrem as salas. É preciso garantir a inclusão efetiva desses sujeitos na escola, oferecendo-lhes uma educação integral, não utilitarista ou compensatória, mas uma formação crítica, reflexiva, conscientizadora, emancipadora, que lhes oportunize a abertura de caminhos no sentido de fazê-los entender e dominar as novas técnicas da sociedade da informação e do conhecimento para poder participar da transformação da mesma, tornando-a mais democrática.

Sociedade, tecnologia e a Educação de Jovens e Adultos

As tecnologias fazem parte da nossa sociedade desde o início dos tempos. Historicamente, pode-se dizer que a tecnologia é tão antiga quanto a história da humanidade, pois quando as pessoas começaram a inventar ferramentas objetivando facilitar suas atividades cotidianas, como a caça, a pesca e a proteção, e facilitar seu trabalho tornando-o mais rentável com criações simples ou mais complexa, já estavam usufruindo das tecnologias.
O homem das cavernas, ao utilizar o fogo para a sua sobrevivência, já fazia uso de uma tecnologia; quando antigos sábios escreviam em seus pergaminhos, estavam utilizando uma tecnologia; portanto, podemos assegurar, em síntese, que as tecnologias foram evoluindo ao longo dos tempos, de acordo com as necessidades do indivíduo e com o contexto no qual este se encontra inserido.                                                                  
Neste último século, o mundo vem se desenvolvendo com tamanha rapidez que em poucos anos transformou-se, em termo de produção material e cultural, mais radicalmente do que nos séculos já passados, caracterizando-se por rápidas mudanças, quebras de paradigmas e de certezas antes tidas como absolutas, questionamento da racionalidade e dos dogmas nas artes, na filosofia, nas ciências, na política etc. (Morais, 1978).
A velocidade e a abrangência das transformações foram ainda maiores a partir da década de 50, com a revolução tecnológica e o inicio da era da informática, cuja presença se faz maciça nos meios de comunicação, nos negócios e na produção de riquezas materiais e de conhecimento. Hoje, sabemos que as Tecnologias de Informação e Comunicação vêm transformando o nosso contexto social, reestruturando o modo como pensamos, adquirimos conhecimentos e nos relacionamos com o próximo.
Com o processo de “tecnologização”, o mundo parece ter ficado tão pequeno que dá a impressão de que podemos abraçá-lo, apertá-lo com as próprias mãos. Instrumentos como urnas, rádios, caixas eletrônicos, celulares, televisores, computadores, dentre outros, estão espalhado por todo o mundo e podem ser facilmente encontrados em situações cotidianas diversas. Logo, as TIC exercem grande influência nas nossas vidas, positiva ou negativamente, dependendo da forma como as utilizamos cotidianamente.                                                                                                          
Dessa forma, é importante ressaltar que “televisores, computadores e todos os novos suportes midiáticos são mais que ferramentas”, (Kensky 2003, p. 22 apud Reeves e Nass 1996, p. 251). Tais instrumentos participam de maneira ativa do mundo real, como se posiciona Kensky (2003) ao afirmar:

As novas tecnologias de informação e comunicação, caracterizadas como midiáticas, são, portanto, mais do que simples suportes. Elas interferem em nosso modo de pensar, sentir, agir, de nos relacionarmos socialmente e adquirirmos conhecimentos. Criam uma nova cultura e um novo modelo de sociedade (KENSKY, 2003, p. 22).


Porém, esse novo modelo de sociedade não oferece as mesmas possibilidades para todos, isto é, o acesso a essas tecnologias não é democrático. Além disso, uma grande parcela da população não possui conhecimento necessário para o seu domínio, produzindo uma sensação de ansiedade e de impotência diante de uma determinada situação. Kensky (2007) diz que existe uma intrínseca relação “entre conhecimento, poder e tecnologia”, isto é, quem não detém o conhecimento fica separado da tecnologia e consequentemente do poder, pois segundo Franco (2008), ”conhecer características da linguagem digital pode ser decisivo para participar ativamente da sociedade globalizada”.
Se antes ter o domínio da leitura e da escrita era fundamental para atuar de maneira consciente na sociedade, hoje, na sociedade da informação e do conhecimento, dominar as tecnologias é imprescindível. De acordo com Silveira (2001), a não apropriação das novas tecnologias tende a ampliar a desigualdade social, uma vez que:


A exclusão digital impede que se reduza a exclusão social, uma vez que as principais atividades econômicas, governamentais e boa parte da produção cultural da sociedade vão migrando para a rede, sendo praticadas e divulgadas por meio da comunicação informacional. Estar fora da rede é ficar fora dos principais fluxos de informação. Desconhecer seus procedimentos básicos é amargar a nova ignorância. (SILVEIRA, 2001, p. 37)

É evidente que esse mundo das novas tecnologias faz com que as informações cheguem rapidamente, ampliando a possibilidade de interação e comunicação. Porém, esses meios tecnológicos são utilizados para beneficiar apenas uma parcela da população, isto é, as TIC muitas vezes são empregadas para reproduzir a cultura dominante, dificultando uma reflexão crítica e fazendo destes usuários meros reprodutores do sistema e aqueles que não conseguem acompanhar o ritmo acabam sendo marginalizados do processo, sendo, portanto, excluídos.
A mídia, conjunto destes meios pelos quais as informações se movem, é controlada, em nossa sociedade, pela classe dominante e vem exercendo influência dos mais fortes em termos ideológicos (Sampaio e Leite, 2010). Para Belloni (1991) essa influência é tão poderosa que a mídia passou, na atualidade, a assumir cada vez mais um papel de formadora de hábitos e atitudes das novas gerações, o que anteriormente era tarefa da família e da escola.
A tecnologia torna-se, portanto, indispensável para o processo de globalização, que tem como características:


Produção em massa em ritmo crescente; segmentação do processo produtivo, tornando possível a internacionalização; controle do processo à distância: produção, vendas, finanças, rendimento etc,; rapidez e eficiência no transporte de grandes volumes de mercadorias; homogeneização de produtos, hábitos de consumo, vendas, sistema financeiro etc.(VILLA, 1995, p. 140)


Em função desse processo de globalização, o mundo vive um momento de mutação, contrastes e rápidas mudanças, em que a presença da tecnologia se sobressai em todo o globo. A esse respeito, Sampaio e Leite (2010) assinalam


[...] que hoje a informação e o conhecimento possuem diversas formas de transmissão e quase todas elas utilizam tecnologia: computador, satélite, terminal de banco, fax, mídia, multimídia etc. E, mesmo as populações mais desfavorecidas entram em contato com a maioria destas formas de transmissão de conhecimento e informação. (SAMPAIO e LEITE, 2010, p. 14) 

Assim, quando trazemos essas questões para o debate, é para compreender o quanto, na sociedade do século XXI, as tecnologias avançaram. Se há poucas décadas atrás apenas os ‘bem de vida’ podiam ter acesso à TV, ao telefone e à internet, por exemplo, hoje a realidade mudou consideravelmente. Por mais pobres que sejam, as pessoas de hoje possuem em casa algum eletrodoméstico, uma televisão, um rádio ou um celular.
Sobre esse assunto, Sampaio e Leite (2010) completam dizendo que


Mesmo com este quadro de pobreza, muitas pessoas que não têm acesso a alguns dos indicativos mais básicos de qualidade de vida (habitação, rede de esgotos, hospitais, escolas) convivem com equipamentos automatizados diversos e são expostos principalmente às mensagens do rádio e da TV. Essas pessoas muitas vezes [...] não estão capacitadas a interpretar criticamente as referidas mensagens e as diversas linguagens que a tecnologia utiliza, nem a entender e participar das consequências que ela provoca. (SAMPAIO e LEITE, 2010, p. 17) 


Então, nesse contexto, a escola, ao trabalhar a questão das TIC, se responsabiliza em educar e formar os novos cidadãos, capazes de analisar o mundo (este mundo tecnológico) e construir opinião própria com a consciência de seus direitos e deveres.  Cabe ressaltar, no entanto, que a relação que os adultos e os idosos têm com as tecnologias nem sempre está no mesmo nível que as relações estabelecidas pelos jovens com tais ferramentas. Neste sentido, os adultos e os idosos devem, então, aprender a ler os meios de comunicação sob a ótica dos jovens para ajudá-los a compreender os problemas da sociedade de forma mais organizada e profunda e a compreender e dominar esses meios visando a educação dos jovens para uma visão ampla do mundo (Moran, 1992).
Percebemos assim, que as escolas não podem “dar as costas” para as tecnologias, mas deve saber incorporá-las na sala de aula. Em termos teóricos, existe a certeza cada vez maior de que a escola não pode ficar às margens das mudanças que a tecnologia vem impondo à nossa sociedade (Demo, 1991; Silva, E., 1992; Silva, T., 1995; Fallari, 1993). O papel da escola deve ser o de desmistificar a linguagem tecnológica e iniciar seus alunos no domínio do seu manuseio, interpretação e criação (Sampaio e Leite, 2010).
Segundo Lévy (1993) a tecnologia é, como a escrita, uma tecnologia da inteligência, fruto do trabalho do homem em transformar o mundo e ferramentas desta transformação. Paulo Freire é outro que introduz entre nós noção de que ler a palavra é ler o mundo. Para ele, através do contato com o mundo escrito o sujeito apreende mais sua cultura e nele se insere com o poder maior de atuação. Hoje, ler escrito não basta. Para ler o mundo é também necessário ler as mensagens tecnológicas e sua interferência nas formas de organização de nossa sociedade e nossa cultura.
A presença da tecnologia na sala de aula deve representar “um suporte técnico à disposição da criatividade e do empenho do professor” (BELLONI, 1991, p. 43), pois nenhuma tecnologia é tão perfeita que possa prescindir do organizador da atividade didática (Gadotti, 1994). Nesta perspectiva, como afirma Barreto (2004), para estar a serviço do processo de ensino-aprendizagem, precisa-se também indicar o atravessamento do uso das TIC nos processos de formação de professores.
Portanto, o trabalho da escola se materializa também por meio do trabalho do professor, porque é ele orienta o processo ensino-aprendizagem. É patente que nossa sociedade, com sua complexidade, não pode prescindir desta instituição [escola], sendo necessário perceber que, em última instância, a conscientização do trabalho e a qualidade que possuem dependem do trabalho diretamente do professor (Silva, E., 1992; Gatti, 1987).

A Educação de Jovens e Adultos e as TIC: “como” e “quando” os professores a utilizam

A certeza de que o mundo vive uma mudança de paradigma, um desconforto de todos, em busca de respostas diante de tantas mudanças, acelera o desenvolvimento tecnológico em todos os setores da sociedade. Atualmente, no cenário nacional brasileiro, podemos notar uma crescente expansão do uso da tecnologia na educação. Quanto mais as novas tecnologias se tornam elementos constantes em nossa cultura, na atividade profissional como nos momentos de lazer, tanto mais elas têm obviamente que ser incorporadas aos processos escolares de aprendizagem e ensino.                          A entrada das novas tecnologias no ambiente escolar traz uma nova dimensão à práxis educacional. Isso porque a sociedade atual, chamada por muitos teóricos como sociedade da informação e do conhecimento, sofre mudanças radicais nas relações econômicas, sociais, políticas e culturais. Dentro deste contexto, a tecnologia na educação requer um olhar mais abrangente, envolvendo novas formas de ensinar e de aprender condizentes com o paradigma da sociedade tecnológica, a qual se caracteriza pelos princípios da diversidade, da integração e da complexidade.                                                                                                                                  
Nos últimos anos, falamos, escrevemos e prescrevemos os caminhos que a escola teria de seguir para fazer frente à chamada sociedade da informação (Ianni, 1996) – para outros, a sociedade do conhecimento (Lévy, 1993). Podemos dizer, assim, que a incidência de novos personagens e novas necessidades sugere, cada vez mais, reformulações profundas nos sistemas escolares, em função da dinâmica tecnológica característica da sociedade atual.
Nesse contexto, diante das exigências oriundas da sociedade contemporânea, em que a tecnologia adquire importância na vida das pessoas e provocam mudanças profundas em praticamente todos os segmentos sociais, novos desafios são impostos à escola, que passa a pensar na formação de novos cidadãos, adequados a esta nova realidade.       
Por tudo isso, podemos indagar: como pensar em novas tecnologias, cidadania e formação escolar no contexto desta sociedade tecnológica na modalidade da Educação de Jovens e Adultos? Não temos para onde fugir: vivemos numa época de ênfase na tecnologia e o professor precisa estar preparado para exercer o seu papel na sociedade digital, papel este que se amplia a cada momento, em função das mudanças de paradigma provocadas pelas transformações sociais, políticas, econômicas e culturais que vem acontecendo diária e historicamente.                                                             Diante do exposto, torna-se essencial, neste momento, trazer para o centro do debate a discussão sobre o conceito de “tecnologia”. Costumeiramente, quando falamos em tecnologias pensamos imediatamente em computadores, vídeo, softwares e internet. Sem dúvida, tais instrumentos são os mais visíveis e, como se sabem, podem influenciar profundamente os rumos da educação, tanto no que se refere às atividades administrativas quanto pedagógicas.                        
Convém salientar, entretanto, que o conceito de tecnologias é muito mais abrangente e muito mais amplo. No que se refere ao contexto escolar, compreendemos por tecnologias os meios, os apoios, as ferramentas que são utilizadas em todo o processo de ensino-aprendizagem. Assim, podemos considerar tecnologia a forma como a sala de aula e os grupos são organizados, a maneira de se escrever, de olhar, de gesticular, de falar como outro. É também tecnologia o giz que escreve na lousa, além da própria lousa, o livro, o lápis, a revista e os jornais, os quais são instrumentos fundamentais para a aprendizagem e que nem sempre sabemos utilizá-los adequadamente.            
À luz de tal pressuposto, podemos afirmar que o conceito de tecnologia vai além do computador, do rádio, do vídeo, do retroprojetor, da TV, do gravador, dentre outros. E, neste universo, indagamos: como inserir as Tecnologias da Informação e Comunicação no contexto da Educação de Jovens e Adultos? É certo que analisar a apropriação que jovens, adultos e idosos em processo de escolarização fazem das TIC pressupõe atenção às particularidades da modalidade de ensino.                                                                                                 
Como sabemos, a maioria dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos cresceu no campo, em famílias pobres e numerosas que necessitavam do trabalho de todos, razão que os obrigavam a trabalhar desde pequenos para ajudar no orçamento familiar. A dificuldade de acesso ou a falta de escolas rurais limitaram a escolarização na infância e na adolescência. Para os que se alfabetizaram, as situações de leitura e escrita foram raras, levando muitos de volta à condição de analfabetos. Vivendo no campo ou migrando para grandes cidades, os estudantes enfrentaram situações de preconceito por não saberem ler, escrever ou calcular. Superar essa condição é o que levou muitos de volta aos bancos escolares (GALVÃO e DI PIERRO, 2007, 16-20).                                                               Nesse sentido, figuram algumas falas dos estudantes dessa modalidade sobre suas histórias de vida e experiências relacionadas à dificuldade de acesso ao processo de escolarização que tiveram:


Eu morava na roça. A escola ficava longe de casa e aí meus pais não mim deixava ir pra escola. Desde pequena ajudei meus pai na roça e então nem tinha tempo de estudar. Depois que mudei pra cidade é que resolvi voltar a estudar, porque é importante o estudo, né? Estou gostando, apesar de ser muito difícil você conciliar a família, a escola e o trabalho. (Jerusa, estudante)

Não tinha escola onde eu morava. Depois que cresci e mudei pra cidade, fiquei com vergonha de estudar, tinha vergonha de ficar na sala de aula com as criancinhas pequenas. Aí uma amiga minha começou a estudar com os idosos e eu entrei também. Meu sonho é conclui o ensino médio e vou consegui, com fé em Deus. (Amélia, estudante)


Diante dos depoimentos expostos pelos próprios sujeitos da Educação de Jovens e Adultos sobre as mudanças trazidas pela tecnologia ao dia-a-dia das relações sociais, parece-nos oportuna a colocação de Michel Tardy (1976) quando assinala que:


De um ponto de vista cultural e pedagógico, a existência dos meios audiovisuais de comunicação de massa cria uma situação totalmente inédita. É preciso que se diga que sua situação é eminentemente incômoda. No relacionamento pedagógico habitual, o professor sabe, os alunos sabem, ou não sabem grande coisa. [...] os alunos têm um conhecimento das mensagens visuais e uma familiaridade no que respeita a elas que os adultos não possuem. Além do mais, a nova geração nasceu num universo invadido pela imagem: esta sempre fez parte de seu horizonte cultural. Em contrapartida, os adultos que desEducação de Jovens e Adultos interessar-se seriamente pelas imagens são obrigados a fazer uma verdadeira conversão mental e vivem dolorosamente um processo laborioso de aculturação. (MICHEL TARDY,1976, p. 26).


Podemos afirmar que o avanço da tecnologia tem afetado vários aspectos da nossa vida. E a escola, como parte importante desse mundo, cujas referências de poder e conhecimento têm se alterado fortemente, não pode ignorar esse processo. A escola, vista como a principal agência alfabetizadora, é o espaço onde os sujeitos que não tiveram a oportunidade de “aprender a ler e escrever no tempo certo” possam adquirir os códigos e símbolos culturais para a sua inserção na sociedade gafocêntrica.     
Cercados pelas tecnologias e pelas mudanças que elas acarretam no mundo, Sampaio e Leite (2010) defendem que:


O papel da educação deve voltar-se também para a democratização do acesso ao conhecimento, produção e interpretação das tecnologias, suas linguagens e consequências. Para isso torna-se necessário preparar o professor para utilizar pedagogicamente as tecnologias na formação de cidadãos que deverão produzir e interpretar as novas linguagens do mundo atual e futuro. (SAMPAIO e LEITE, 2010, p. 15)

Nesse sentido, podemos nos questionar: quando e como os professores lidam pedagogicamente com as TIC no desenvolvimento de suas disciplinas na Educação de Jovens e Adultos? Sobre essa questão, as professora Arlete e Madalena expõe:


Não é fácil trabalhar com as tecnologias em sala de aula, principalmente com adultos. Como os professores nem sempre é preparado, há sempre dúvidas sobre o melhor jeito de usar as tecnologias no auxílio do processo envolvendo o ensinar e o aprender. (Arlete, professora)
Eu uso a TV pendrive de vez em quando. É muito cansativo ficar copiando no quadro o tempo todo. Então levar músicas para a sala de aula, passar filmes é significativo e é bem vindo sempre. (Madalena, professora)


Para os professores, é importante que o professor domine o uso das tecnologias porque elas estão no mundo e participam da produção econômica e cultural, como ressalta a coordenadora da Educação de Jovens e Adultos:


As tecnologias estão por toda parte: nas ruas, nas lojas, nos supermercados, nos bancos, nos hospitais, no trabalho, nos meios de transportes, na vida em geral das pessoas. Por isso, a inserção das tecnologias no ambiente escolar é fundamentalmente importante. Mas não basta simplesmente informatizar a escola. É preciso pensar em formação docente para o uso dessas tecnologias, para que o professor possa utilizar outras estratégias de trabalho para além do quadro e o giz. (Tatianne, coordenadora da Educação de Jovens e Adultos).


Sobre a questão da formação tecnológica do professor, uma professora completa dizendo que


Como podem exigir que a gente trabalhe corretamente com as tecnologias no cotidiano da sala de aula se nos é negado a formação necessária para atuar com essas ferramentas? Antes de cobrar esse papel do professor, precisa-se criar políticas públicas que deem ao profissional docente a oportunidade de se familiarizar com as tecnologias; caso contrário, estaremos caminhando na contra mão. (Carmelita, professora)


Diante deste quadro, são oportunas as palavras de Sampaio e Leite (2010), as quais deixam claro que para utilizar pedagogicamente as tecnologias e desenvolver uma proposta de alfabetização tecnológica, é necessário desenvolver também uma nova pedagogia, pois não adianta “empregar uma nova tecnologia para aplicar uma velha pedagogia” (Sampaio e Leite, 2010, p. 66 apud Marinho, 1987, p.60).                               
Ainda se tratando da importância da inserção das TIC no trabalho pedagógico com as turmas de jovens e adultos, alguns educadores atuantes na nessa modalidade depõem:


Se o professor souber trabalhar, as ferramentas tecnológicas podem, sim, ajudar no trabalho pedagógico, auxiliando no processo de ensino e aprendizagem. É tanto que, senão fossem esses recursos, alguns conteúdos nem poderiam ser ensinados. (Tatianne, coordenadora da Educação de Jovens e Adultos).

O aluno, jovem ou adulto, precisa aprender a manusear o computador. É uma exigência da sociedade atual. Então, seria interessante que esse recurso fosse introduzido na sala de aula para que o aluno pudesse digitar textos, conhecer programas, como o Excel, ler mapas virtuais, fazer pesquisas. (Arlete, professora).


Sobre a relação que os alunos mantêm com as ferramentas tecnológicas fora e dentro do ambiente escolar, verificamos o seguinte:


Eu não sei mexer com computador, com essas coisas de internet. Essas coisas é de gente nova, é pra ‘rapaziada’ que ainda está com a cabeça fresca. Eu já estou velho e não aprendo mais a mexer nessas coisa. Mas é ruim não saber mexer nessas coisas. Por exemplo, eu preciso depender do caixa na hora de tirar a aposentadoria porque não sei mexer nas máquina de sacar o dinheiro.  Na minha época não tinha essas coisa, então a gente não aprendeu. Já a ‘moçada’ de hoje é esperta, aprende a mexer nessas coisa rapidinho. (Seu João, estudante).

Eu gostaria de aprender a manusear o computador. Mas acho que já estou velha pra isso. [...] e a escola não tem laboratório pra ensinar a gente. (Dona Maria, estudante).

Meu filho comprou um computador e me ensinou a mexer nele. Agora, quando o professor passa um trabalho eu mesmo faço a pesquisa. Antes eu tinha que pagar para pesquisar, hoje já faço sozinha. (Helena, estudante).


Ao estabelecer um paralelo entre a inserção das TIC na sala de aula, em particular no que se refere ao uso de tais recursos como ferramenta pedagógica auxiliar no processo de ensino-aprendizagem de jovens, adultos ou idosos, podemos afirmar que se trata de um desafio a ser encarado. Isso porque a utilização de tecnologias digitais em ambientes escolares e, nesse caso, na Educação de Jovens e Adultos, é ainda muito incipiente, embrionário, e carecem de estudos, análise e fundamentação teórica e metodológica.
Assim, no que se refere ao impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação - TIC no cotidiano da Educação de Jovens e Adultos podemos perceber uma realidade caracterizada pelas relações de inclusão e exclusão que tais tecnologias envolvem. Neste sentido, torna-se possível, com a inserção das tecnologias no contexto escolar, verificarmos o importante papel que as práticas educativas desempenham no processo de ensino-aprendizagem com esses estudantes ao oportunizar lhes o acesso a esses bens, como fica evidenciado na fala de uma professora ao afirma que:

Inserir as tecnologias no cotidiano dos jovens e adultos é dar a esses sujeitos a oportunidade de conhecer e se familiarizar com esses instrumentos, os quais nunca teve a chance de apreciar. Há alunos da EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS que não sabem nem ligar um computador. Então, não ter a escola um laboratório de informática é como negar a esse aluno o direito de aprender algo que a sociedade exige. Como sabemos, esse aluno já teve negado o direito de estudar no tempo certo. [...] não saber mexer num computador, hoje, é estar na condição de excluído. E é nessa condição que esses jovens e adultos se encontram. (Tereza, professora).   

Os estudantes da Educação de Jovens e Adultos já foram desrespeitados quando tiveram seu direito à educação negado, então cabe agora um procedimento que vise o acesso ao direito de afirmação da identidade dos educandos, sua cultura e seu saber, interligando-os à realidade do mundo atual.                                                                    
E o que dizer das políticas públicas voltadas para a inserção das novas tecnologias no contexto escolar da Educação de Jovens e Adultos? Tal questão merece reflexões. Como se sabe, os compromissos relativos à Educação de Jovens e Adultos firmados pelo Ministério da Educação - MEC em encontros internacionais, desde a Conferência Educação Para Todos, em Jomtien/Tailândia (1990), seguido da V CONFITEA, em Hamburgo/Alemanha (1997), da Cúpula Mundial de Educação, em Dakar/Senegal (2000), dentre outros eventos de caráter educacional, incluem a necessidade das tecnologias digitais para o esforço de alcançar as metas da educação para todos.                Considerando as especificidades da Educação de Jovens e Adultos, na última conferência da UNESCO sobre a educação de adultos, a CONFINTEA, realizada em 1997, em Hamburgo (Alemanha), com a participação de agentes governamentais e não governamentais de diversos países, firmaram compromissos para a formulação de políticas de acesso às novas tecnologias, incluindo o Brasil.                                                                      
Sendo assim, segundo tais propostas, que detalham os compromissos para a Educação de Jovens e Adultos, as chamadas TIC devem promover, na educação de adultos, uma comunicação interativa, uma maior compreensão e cooperação entre povos e culturas, a difusão de filosofias, criações culturais e modos de vida dos alunos, o acesso à educação à distância, a exploração de novas modalidades de aprendizado, o exercício crítico a partir de análises dos meios de comunicação, a divulgação de material didático, a promoção do uso legal de propriedade intelectual e o reforço a bibliotecas e instituições culturais (CONFERÊNCIA, 1999, 49 -50).                                                              Como já foi bastante mencionado, a tecnologia vem fazendo parte constante do dia-a-dia das pessoas como, por exemplo, o aumento dos caixas eletrônicos nas agências financeiras, a consulta de preços de mercadorias nos supermercados, entre outros. Daí, a necessidade em disponibilizar aos alunos, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, uma aprendizagem significativa utilizando, por exemplo, as tecnologias da informação e da comunicação, de modo que as novas formas de aprendizagens tornem significativas para o estudante como também para o professor. Só com uma proposta pedagógica que abarque tais concepções poderá alcançar a cidadania plena, a igualdade e a socialização neste mundo globalizado, caracterizado pela presença maciça da tecnologia.                                         
Afinal, as TIC e as suas influências são visíveis fora e dentro do ambiente da sala de aula e podem representar importante papel como ferramenta auxiliar no processo de ensino-aprendizagem, tanto na Educação de Jovens e adultos, como em qualquer modalidade de ensino. Portanto, é certo que sua existência pode catalisar transformações não somente na sociedade, mas também nos modos de ensinar/aprender e no modo de ser do professor e do aluno. A palavra chave é ‘saber’ utilizar essas ferramentas em prol da construção de uma educação com qualidade social para todos e todas.   

Algumas conclusões...

Assim, diante das reflexões expostas no tocante à relação entre as TIC e a Educação de Jovens e Adultos, concluímos que existem muitos jovens, adultos e idosos com a necessidade de uma formação abrangente, que lhes oportunize o acesso à cultura digital, às novas linguagens do mundo atual e futuro. À luz de uma educação com sentido amplo, que extrapole os muros da escola, acreditamos que inserir as Tecnologias da Informação e Comunicação no cotidiano da Educação de Jovens e Adultos irá contribuir para tornar esses sujeitos cidadãos independentes, conhecedores de sua cidadania e, assim, conseguirão projetar-se na vida como indivíduos politizados, emancipados e socializados neste mundo globalizado e inovador, caracterizado pela crescente expansão das tecnologias, que invadem a cada dia os setores da vida social, econômica, política e cultural.        
Em suma, as análises apresentadas neste estudo possibilitaram a elaboração de algumas reflexões acerca dos limites e das possibilidades das tecnologias digitais na educação de jovens e adultos. Foi possível constatar que a utilização de tais ferramentas em ambientes escolares e, nesse caso, na Educação de Jovens e Adultos, é ainda muito incipiente. Portanto, consideramos que este trabalho não se dá por encerrado, em função de tratar-se de uma temática ainda muito recente e necessitando de outros estudos e análises, novos olhares e discussões.                           
Enfim, esperamos com as abordagens aqui apresentadas, suscitem novas reflexões sobre a necessidade da inserção das Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC no contexto da Educação de Jovens e Adultos, uma vez que esse público está inserido em uma sociedade cada vez mais marcada pela presença da tecnologia e precisa, portanto, conhecê-la e dominá-la, para que possam sair da condição de excluídos para a condição de sujeitos familiarizados com a cultura digital. 

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[1] Graduanda de Pedagogia com Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XVII – Bom Jesus da Lapa – BA e Professora da Educação Básica. E-mail: helida_barros@hotmail.com
[2] Graduando de Pedagogia com Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XVII – Bom Jesus da Lapa – BA e Professor da Educação Básica. E-mail: silvano_uneb2009@yahoo.com.br
3 Doutorando em Educação da Universidade de Brasília. Professor Assistente da Universidade do Estado da Bahia – Campus de Bom Jesus da Lapa. E-mail: josevalmiranda@yahoo.com.br



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