A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM TEMPOS DIGITAIS : O
USO DAS TIC EM SALA DE
AULA
EDUCATION OF
YOUNG PEOPLE AND ADULTS IN DIGITAL TIMES: THE USE OF ICT IN THE CLASSROOM
Hélida Paixão
Rodrigues de Barros[1]
Silvano Messias
dos Santos[2]
Joseval dos Reis
Miranda3
RESUMO:
No contexto de uma
nova dimensão dada à práxis educacional no início deste século, em virtude da
introdução das Tecnologias de Informação e Comunicação no ambiente escolar, o presente
artigo apresenta o resultado de uma pesquisa de cunho qualitativo realizada em
uma escola pública estadual de Bom Jesus da Lapa – BA. Para realização da
pesquisa, foram utilizadas as técnicas da observação participante, entrevista e
análise documental, tendo como interlocutores professores da Educação de Jovens
e Adultos, coordenadora e estudantes dessa modalidade. Objetivamos analisar
quando – e como – os docentes utilizam pedagogicamente as TICs no
desenvolvimento de suas disciplinas na Educação de Jovens e Adultos. O presente
trabalho discute as possibilidades e os desafios de se usar as TICs na Educação
de Jovens e Adultos como ferramenta pedagógica auxiliar no processo de
ensino-aprendizagem, suscitando reflexões sobre a necessidade da inserção de
tais recursos nas aulas dessa modalidade educativa, uma vez que esse público
está inserido em uma sociedade cada vez mais marcada pela presença da
tecnologia e precisa, portanto, conhecê-la e dominá-la. As análises
apresentadas neste estudo possibilitaram a elaboração de algumas reflexões acerca
dos limites e das possibilidades das tecnologias digitais para que possam sair
da condição de excluídos para a condição de sujeitos familiarizados com a
cultura digital.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos. Tecnologias
da Informação e Comunicação. Processo de ensino-aprendizagem.
ABSTRACT:
In the context of a new dimension given to
the educational practice at the beginning of this century, due to the
introduction of Information and Communication Technologies in the school
environment, this article presents the results of a qualitative research
conducted in a state school of Bom Jesus da Lapa - BA. For the research, the
techniques used were participant observation, interview and documentary
analysis, and teachers as interlocutors of Youth and Adults, students and coordinator
of this type. We aimed to analyze when - and how - the teachers use ICT
pedagogically in the development of their disciplines in the Youth and Adult
Education. This paper discusses the possibilities and challenges of using ICT
in Education for Youth and Adults as a pedagogical tool to assist in the
teaching-learning process, prompting reflections on the need for the inclusion
of such resources in the classroom this educational method, since that audience
is part of a society increasingly marked by the presence of technology and
therefore needs to know it and master it. The analysis presented in this study
allowed for the creation of some reflections on the limits and possibilities of
digital technologies so that they can get out of condition for the condition of
excluded subjects familiar with digital culture.
Keywords: Youth and Adult Education.
Information Technology and Communication. Teaching-learning process.
Considerações
iniciais
O
presente artigo tem por finalidade analisar quando e como os professores
utilizam pedagogicamente as Tecnologias da Informação e Comunicação - TICs no
desenvolvimento de suas aulas na Educação de Jovens e Adultos, tendo como
objeto de estudo o Colégio Estadual Monsenhor Turíbio Vila Nova, situado no
Bairro Amaralina, na cidade de Bom Jesus da Lapa – BA. A referida instituição, que
atende ao público do Ensino Médio, trabalha também com a modalidade Educação de
Jovens e Adultos, acolhendo jovens, adultos e idosos de diferentes bairros, pertencentes
a uma classe socioeconômica baixa e que vivem em situação de vulnerabilidade
social. No
intuito de analisarmos as possibilidades e os desafios de utilizar as TIC na Educação
de Jovens e Adultos como ferramenta pedagógica auxiliar no processo de ensino-aprendizagem,
este trabalho nasce de uma pesquisa de campo cujo foco foi refletir sobre a presença das Tecnologias
de Informação e Comunicação nas práticas educativas no cotidiano de jovens e
adultos, por meio da observação participante, análise documental e entrevistas
feitas com docentes, gestor, coordenador e alunos da Educação de Jovens e
Adultos, do Colégio Estadual Monsenhor Turíbio Vila Nova.
Para isso, a metodologia
utilizada na pesquisa foi de inspiração qualitativa, por esta se configurar
como a mais indicada para esse tipo de trabalho, porque segundo Ludke (1986,
p.13), “envolve a obtenção de dados descritivos, no contato direto do
pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto
e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes”. Inicialmente, apresentaremos algumas ideias
sobre as TICs e como esta se configura na nossa sociedade, tida como sociedade
da informação e comunicação, para num segundo momento tratarmos do papel que
essas tecnologias podem exercer no contexto da Educação de Jovens e Adultos, ressaltando
o processo de exclusão/inclusão vividos por esses sujeitos nos mais variados
setores da chamada “era digital”. E, finalmente, abordaremos as questões
“quando”, “como” e “por que” os professores desta modalidade educacional usam as
TIC no desenvolvimento de suas disciplinas, bem como a relação que esses estudantes
estabelecem com a tecnologia dentro do ambiente escolar.
Os
sujeitos da Educação de Jovens e Adultos: quem são, de onde são e qual o seu
perfil?
Ao longo de sua história,
o Brasil tem enfrentado o problema da exclusão social que suscitou grande
impacto nos sistemas educacionais. Assim, a Educação de Jovens e Adultos
tornou-se temática preocupante e de real significado no atual contexto
educacional brasileiro, em consonância com a Constituição Federal de 1988 e
outras leis que anseiam por uma educação de qualidade que proporcione a
concretização da cidadania, a garantia de direitos e o acesso è escola por
todos os cidadãos e cidadãs. Convém salientar, entretanto, que o exercício
desse direito, como sabemos, é um desafio que impõe decisões “inovadoras”.
A Educação de Jovens e Adultos,
embora muito discutida nos últimos anos, sempre ocupou um espaço marginal em
relação à escolarização formal. Os investimentos em várias campanhas, programas
e projetos tanto federais quanto estaduais e municipais voltados para a
alfabetização de jovens e adultos apontaram poucos avanços, pois, entre outros
fatores, se configuravam em processos descontextualizados da realidade dos seus
participantes e constituíam-se apenas na possibilidade da leitura e da escrita,
às vezes de caráter assistencialista, sem a preocupação da continuidade destes
nos sistemas de ensino, não havendo inquietação com a causa da inclusão social,
política, econômica e cultural.
A LDBEN nº 9.394/96, de
20 de dezembro de 1996, notadamente no art. 37, define a Educação de Jovens e Adultos como uma modalidade de educação
“destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino
fundamental e médio na idade própria”. Assim, podemos dizer que, na intenção de
oferecer a todos – inclusive ao jovem, adulto e ao idoso - o acesso à escola,
múltiplos ideais e propostas educacionais vinculados a essa modalidade
educacional ganharam destaque em forma de projetos, campanhas, movimentos e
leis, tanto nacional quanto internacionalmente.
A proposta de
universalização, solidariedade democrática e justiça social para a atual Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional nos artigos 37 e 38, que tratam da Educação
Básica, determinam que todo cidadão independente de cor, raça, credo, nível
social, tem direito à gratuidade da educação básica, quando oferecida pelo
poder público, e adequação às características dos alunos, seus interesses,
condições de vida e trabalho. E aí, perguntamos: tais princípios estão
realmente sendo postos em práticas, no que tange a Educação de Jovens e Adultos
ou simplesmente estão no papel? No que se refere ao dever
do Estado com a educação, conclui-se que este tem a obrigação de ofertar
educação escolar pública mediante a garantia de “ensino fundamental,
obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade
própria” (LDBEN, art. 4, 1996). Vai além, ao definir como dever do Estado a
oferta
Art.4º
- de educação regular para jovens e adultos, com características e modalidades
adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem
trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola (BRASIL, 1996).
Como sabemos, o conceito de educação sofreu profundas mudanças nos últimos
anos. Mas, afinal, o que é educação? Atribuindo à educação um
sentido amplo, que suplante os muros das escolas, a Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional (LDBEN, 1996) abriu caminho institucional aos processos
educativos que ocorrem em espaços não-formais ao definir educação como aquela
que abrange “os processos educativos que se desenvolvem na vida familiar, na
convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações
culturais”. (Art. 1° LDBEN, 1996).
Sabemos que os estudantes
da Educação de Jovens e Adultos construíram uma trajetória escolar fora dos
padrões definidos pela escola regular, são jovens, adultos e idosos de
diferentes gerações, com gostos, crenças, valores e interesses diferentes, portanto,
com experiências, conhecimentos e histórias de vida diferentes. Entendendo a
educação em uma perspectiva abrangente, que vá além da sala de aula, Freire (1989) defende que a educação de jovens e adultos
deve ir além do “simples ensinar a ler, escrever e contar”, pois muito
além das exigências do domínio de habilidades da leitura e da escrita vão as
novas demandas do mundo contemporâneo para o exercício pleno da cidadania.
Desse modo, compreender
as especificidades dos educandos da Educação de Jovens e Adultos requer o
despertar de um olhar sensível sobre a questão, de modo que o respeito e a
valorização das diferenças sejam legitimados. Em suma, podemos assegurar que a
especificidade dos alunos da Educação de Jovens e Adultos decorre do fato de
serem jovens, adultos ou idosos, experientes, trabalhadores ou pretendentes à
(re) inserção no mercado de trabalho, com uma história de vida definida e com
experiências concretas.
Portanto, é preciso
encarar a Educação de Jovens e Adultos como uma concepção de direito à educação
para todos. E não basta apenas abrir as portas das instituições escolares e
permitir que esses sujeitos simplesmente adentrem as salas. É preciso garantir
a inclusão efetiva desses sujeitos na escola, oferecendo-lhes uma educação
integral, não utilitarista ou compensatória, mas uma formação crítica,
reflexiva, conscientizadora, emancipadora, que lhes oportunize a abertura de
caminhos no sentido de fazê-los entender e dominar as novas técnicas da sociedade
da informação e do conhecimento para poder participar da transformação da
mesma, tornando-a mais democrática.
Sociedade,
tecnologia e a Educação de Jovens e Adultos
As tecnologias fazem parte da nossa sociedade desde o
início dos tempos. Historicamente, pode-se dizer que a tecnologia é tão antiga
quanto a história da humanidade, pois quando as pessoas começaram a inventar
ferramentas objetivando facilitar suas atividades cotidianas, como a caça, a
pesca e a proteção, e facilitar seu trabalho tornando-o mais rentável com
criações simples ou mais complexa, já estavam usufruindo das tecnologias.
O homem das cavernas, ao utilizar o fogo para a sua
sobrevivência, já fazia uso de uma tecnologia; quando antigos sábios escreviam
em seus pergaminhos, estavam utilizando uma tecnologia; portanto, podemos
assegurar, em síntese, que as tecnologias foram evoluindo ao longo dos tempos,
de acordo com as necessidades do indivíduo e com o contexto no qual este se encontra
inserido.
Neste último século, o mundo vem se desenvolvendo com
tamanha rapidez que em poucos anos transformou-se, em termo de produção
material e cultural, mais radicalmente do que nos séculos já passados,
caracterizando-se por rápidas mudanças, quebras de paradigmas e de certezas
antes tidas como absolutas, questionamento da racionalidade e dos dogmas nas
artes, na filosofia, nas ciências, na política etc. (Morais, 1978).
A velocidade e a abrangência das transformações foram
ainda maiores a partir da década de 50, com a revolução tecnológica e o inicio
da era da informática, cuja presença se faz maciça nos meios de comunicação,
nos negócios e na produção de riquezas materiais e de conhecimento. Hoje, sabemos que as
Tecnologias de Informação e Comunicação vêm transformando o nosso contexto
social, reestruturando o modo como pensamos, adquirimos conhecimentos e nos
relacionamos com o próximo.
Com o processo de “tecnologização”, o mundo parece ter
ficado tão pequeno que dá a impressão de que podemos abraçá-lo, apertá-lo com
as próprias mãos. Instrumentos como urnas, rádios, caixas eletrônicos,
celulares, televisores, computadores, dentre outros, estão espalhado por todo o
mundo e podem ser facilmente encontrados em situações cotidianas diversas. Logo,
as TIC exercem grande influência nas nossas vidas, positiva ou negativamente, dependendo
da forma como as utilizamos cotidianamente.
Dessa forma, é
importante ressaltar que “televisores, computadores e todos os novos suportes
midiáticos são mais que ferramentas”, (Kensky 2003, p. 22 apud Reeves e
Nass 1996, p. 251). Tais instrumentos participam de maneira ativa do mundo
real, como se posiciona Kensky (2003) ao afirmar:
As novas tecnologias de informação e comunicação,
caracterizadas como midiáticas, são, portanto, mais do que simples suportes.
Elas interferem em nosso modo de pensar, sentir, agir, de nos relacionarmos
socialmente e adquirirmos conhecimentos. Criam uma nova cultura e um novo
modelo de sociedade (KENSKY, 2003, p. 22).
Porém, esse novo modelo de sociedade
não oferece as mesmas possibilidades para todos, isto é, o acesso a essas
tecnologias não é democrático. Além disso, uma grande parcela da população não
possui conhecimento necessário para o seu domínio, produzindo uma sensação de
ansiedade e de impotência diante de uma determinada situação. Kensky (2007) diz
que existe uma intrínseca relação “entre conhecimento, poder e tecnologia”,
isto é, quem não detém o conhecimento fica separado da tecnologia e consequentemente
do poder, pois segundo Franco (2008), ”conhecer características da linguagem
digital pode ser decisivo para participar ativamente da sociedade globalizada”.
Se antes ter o
domínio da leitura e da escrita era fundamental para atuar de maneira
consciente na sociedade, hoje, na sociedade da informação e do conhecimento,
dominar as tecnologias é imprescindível. De acordo com Silveira (2001), a não
apropriação das novas tecnologias tende a ampliar a desigualdade social, uma
vez que:
A exclusão digital impede que se reduza
a exclusão social, uma vez que as principais atividades econômicas,
governamentais e boa parte da produção cultural da sociedade vão migrando para
a rede, sendo praticadas e divulgadas por meio da comunicação informacional.
Estar fora da rede é ficar fora dos principais fluxos de informação.
Desconhecer seus procedimentos básicos é amargar a nova ignorância. (SILVEIRA,
2001, p. 37)
É evidente que esse
mundo das novas tecnologias faz com que as informações cheguem rapidamente,
ampliando a possibilidade de interação e comunicação. Porém, esses meios
tecnológicos são utilizados para beneficiar apenas uma parcela da população,
isto é, as TIC muitas vezes são empregadas para reproduzir a cultura dominante,
dificultando uma reflexão crítica e fazendo destes usuários meros reprodutores
do sistema e aqueles que não conseguem acompanhar o ritmo acabam sendo
marginalizados do processo, sendo, portanto, excluídos.
A mídia, conjunto destes
meios pelos quais as informações se movem, é controlada, em nossa sociedade,
pela classe dominante e vem exercendo influência dos mais fortes em termos
ideológicos (Sampaio e Leite, 2010). Para Belloni (1991) essa influência é tão
poderosa que a mídia passou, na atualidade, a assumir cada vez mais um papel de
formadora de hábitos e atitudes das novas gerações, o que anteriormente era
tarefa da família e da escola.
A tecnologia torna-se,
portanto, indispensável para o processo de globalização, que tem como
características:
Produção
em massa em ritmo crescente; segmentação do processo produtivo, tornando
possível a internacionalização; controle do processo à distância: produção,
vendas, finanças, rendimento etc,; rapidez e eficiência no transporte de
grandes volumes de mercadorias; homogeneização de produtos, hábitos de consumo,
vendas, sistema financeiro etc.(VILLA, 1995, p. 140)
Em função desse processo de
globalização, o mundo vive um momento de mutação, contrastes e rápidas mudanças,
em que a presença da tecnologia se sobressai em todo o globo. A esse respeito,
Sampaio e Leite (2010) assinalam
[...] que hoje
a informação e o conhecimento possuem diversas formas de transmissão e quase
todas elas utilizam tecnologia: computador, satélite, terminal de banco, fax,
mídia, multimídia etc. E, mesmo as populações mais desfavorecidas entram em
contato com a maioria destas formas de transmissão de conhecimento e
informação. (SAMPAIO e LEITE, 2010, p. 14)
Assim, quando trazemos
essas questões para o debate, é para compreender o quanto, na sociedade do
século XXI, as tecnologias avançaram. Se há poucas décadas atrás apenas os ‘bem
de vida’ podiam ter acesso à TV, ao telefone e à internet, por exemplo, hoje a
realidade mudou consideravelmente. Por mais pobres que sejam, as pessoas de hoje
possuem em casa algum eletrodoméstico, uma televisão, um rádio ou um celular.
Sobre esse assunto, Sampaio
e Leite (2010) completam dizendo que
Mesmo com este
quadro de pobreza, muitas pessoas que não têm acesso a alguns dos indicativos
mais básicos de qualidade de vida (habitação, rede de esgotos, hospitais, escolas)
convivem com equipamentos automatizados diversos e são expostos principalmente
às mensagens do rádio e da TV. Essas pessoas muitas vezes [...] não estão
capacitadas a interpretar criticamente as referidas mensagens e as diversas
linguagens que a tecnologia utiliza, nem a entender e participar das
consequências que ela provoca. (SAMPAIO e LEITE, 2010, p. 17)
Então, nesse contexto, a
escola, ao trabalhar a questão das TIC, se responsabiliza em educar e formar os
novos cidadãos, capazes de analisar o mundo (este mundo tecnológico) e
construir opinião própria com a consciência de seus direitos e deveres. Cabe ressaltar, no entanto, que a relação que
os adultos e os idosos têm com as tecnologias nem sempre está no mesmo nível
que as relações estabelecidas pelos jovens com tais ferramentas. Neste sentido,
os adultos e os idosos devem, então, aprender a ler os meios de comunicação sob
a ótica dos jovens para ajudá-los a compreender os problemas da sociedade de
forma mais organizada e profunda e a compreender e dominar esses meios visando
a educação dos jovens para uma visão ampla do mundo (Moran, 1992).
Percebemos assim, que as
escolas não podem “dar as costas” para as tecnologias, mas deve saber incorporá-las
na sala de aula. Em termos teóricos, existe a certeza cada vez maior de que a
escola não pode ficar às margens das mudanças que a tecnologia vem impondo à
nossa sociedade (Demo, 1991; Silva, E., 1992; Silva, T., 1995; Fallari, 1993). O
papel da escola deve ser o de desmistificar a linguagem tecnológica e iniciar
seus alunos no domínio do seu manuseio, interpretação e criação (Sampaio e
Leite, 2010).
Segundo Lévy (1993) a
tecnologia é, como a escrita, uma tecnologia da inteligência, fruto do trabalho
do homem em transformar o mundo e ferramentas desta transformação. Paulo Freire
é outro que introduz entre nós noção de que ler a palavra é ler o mundo. Para
ele, através do contato com o mundo escrito o sujeito apreende mais sua cultura
e nele se insere com o poder maior de atuação. Hoje, ler escrito não basta.
Para ler o mundo é também necessário ler as mensagens tecnológicas e sua
interferência nas formas de organização de nossa sociedade e nossa cultura.
A presença da tecnologia na
sala de aula deve representar “um suporte técnico à disposição da criatividade
e do empenho do professor” (BELLONI, 1991, p. 43), pois nenhuma tecnologia é
tão perfeita que possa prescindir do organizador da atividade didática
(Gadotti, 1994). Nesta perspectiva, como afirma Barreto (2004), para estar a
serviço do processo de ensino-aprendizagem, precisa-se também indicar o
atravessamento do uso das TIC nos processos de formação de professores.
Portanto, o trabalho da
escola se materializa também por meio do trabalho do professor, porque é ele
orienta o processo ensino-aprendizagem. É patente que nossa sociedade, com sua
complexidade, não pode prescindir desta instituição [escola], sendo necessário
perceber que, em última instância, a conscientização do trabalho e a qualidade
que possuem dependem do trabalho diretamente do professor (Silva, E., 1992;
Gatti, 1987).
A Educação de Jovens e Adultos
e as TIC: “como” e “quando” os professores a utilizam
A certeza de que o mundo
vive uma mudança de paradigma, um desconforto de todos, em busca de respostas
diante de tantas mudanças, acelera o desenvolvimento tecnológico em todos os
setores da sociedade. Atualmente, no cenário nacional brasileiro, podemos notar
uma crescente expansão do uso da tecnologia na educação. Quanto mais as novas
tecnologias se tornam elementos constantes em nossa cultura, na atividade
profissional como nos momentos de lazer, tanto mais elas têm obviamente que ser
incorporadas aos processos escolares de aprendizagem e ensino. A
entrada das novas tecnologias no ambiente escolar traz uma nova dimensão à
práxis educacional. Isso porque a sociedade atual, chamada por muitos teóricos
como sociedade da informação e do conhecimento, sofre mudanças radicais nas
relações econômicas, sociais, políticas e culturais. Dentro deste contexto, a tecnologia na educação requer um olhar mais
abrangente, envolvendo novas formas de ensinar e de aprender condizentes com o
paradigma da sociedade tecnológica, a qual se caracteriza pelos princípios da
diversidade, da integração e da complexidade.
Nos
últimos anos, falamos, escrevemos e prescrevemos os caminhos que a escola teria
de seguir para fazer frente à chamada sociedade da informação (Ianni, 1996) –
para outros, a sociedade do conhecimento (Lévy, 1993). Podemos dizer, assim,
que a incidência de novos personagens e novas necessidades sugere, cada vez
mais, reformulações profundas nos sistemas escolares, em função da dinâmica
tecnológica característica da sociedade atual.
Nesse contexto, diante
das exigências oriundas da sociedade contemporânea, em que a tecnologia adquire
importância na vida das pessoas e provocam mudanças profundas em praticamente
todos os segmentos sociais, novos desafios são impostos à escola, que passa a
pensar na formação de novos cidadãos, adequados a esta nova realidade.
Por tudo isso, podemos
indagar: como pensar em novas tecnologias, cidadania e formação escolar no
contexto desta sociedade tecnológica na modalidade da Educação de Jovens e
Adultos? Não temos para onde fugir: vivemos numa época de ênfase na tecnologia
e o professor precisa estar preparado para exercer o seu papel na sociedade
digital, papel este que se amplia a cada momento, em função das mudanças de
paradigma provocadas pelas transformações sociais, políticas, econômicas e
culturais que vem acontecendo diária e historicamente. Diante
do exposto, torna-se essencial, neste momento, trazer para o centro do debate a
discussão sobre o conceito de “tecnologia”. Costumeiramente, quando falamos em
tecnologias pensamos imediatamente em computadores, vídeo, softwares e internet.
Sem dúvida, tais instrumentos são os mais visíveis e, como se sabem, podem
influenciar profundamente os rumos da educação, tanto no que se refere às
atividades administrativas quanto pedagógicas.
Convém salientar,
entretanto, que o conceito de tecnologias é muito mais abrangente e muito mais
amplo. No que se refere ao contexto escolar, compreendemos por tecnologias os
meios, os apoios, as ferramentas que são utilizadas em todo o processo de ensino-aprendizagem.
Assim, podemos considerar tecnologia a forma como a sala de aula e os grupos
são organizados, a maneira de se escrever, de olhar, de gesticular, de falar
como outro. É também tecnologia o giz que escreve na lousa, além da própria
lousa, o livro, o lápis, a revista e os jornais, os quais são instrumentos
fundamentais para a aprendizagem e que nem sempre sabemos utilizá-los adequadamente.
À luz de tal pressuposto,
podemos afirmar que o conceito de tecnologia vai além do computador, do rádio,
do vídeo, do retroprojetor, da TV, do gravador, dentre outros. E, neste
universo, indagamos: como inserir as Tecnologias da Informação e Comunicação no
contexto da Educação de Jovens e Adultos? É certo que analisar a apropriação
que jovens, adultos e idosos em processo de escolarização fazem das TIC pressupõe
atenção às particularidades da modalidade de ensino.
Como
sabemos, a maioria dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos cresceu no
campo, em famílias pobres e numerosas que necessitavam do trabalho de todos,
razão que os obrigavam a trabalhar desde pequenos para ajudar no orçamento
familiar. A dificuldade de acesso ou a falta de escolas rurais limitaram a
escolarização na infância e na adolescência. Para os que se alfabetizaram, as
situações de leitura e escrita foram raras, levando muitos de volta à condição
de analfabetos. Vivendo no campo ou migrando para grandes cidades, os
estudantes enfrentaram situações de preconceito por não saberem ler, escrever
ou calcular. Superar essa condição é o que levou muitos de volta aos bancos
escolares (GALVÃO e DI PIERRO, 2007, 16-20). Nesse sentido, figuram algumas falas dos estudantes dessa
modalidade sobre suas histórias de vida e experiências relacionadas à
dificuldade de acesso ao processo de escolarização que tiveram:
Eu
morava na roça. A escola ficava longe de casa e aí meus pais não mim deixava ir
pra escola. Desde pequena ajudei meus pai na roça e então nem tinha tempo de
estudar. Depois que mudei pra cidade é que resolvi voltar a estudar, porque é
importante o estudo, né? Estou gostando, apesar de ser muito difícil você
conciliar a família, a escola e o trabalho. (Jerusa, estudante)
Não
tinha escola onde eu morava. Depois que cresci e mudei pra cidade, fiquei com
vergonha de estudar, tinha vergonha de ficar na sala de aula com as criancinhas
pequenas. Aí uma amiga minha começou a estudar com os idosos e eu entrei
também. Meu sonho é conclui o ensino médio e vou consegui, com fé em Deus.
(Amélia, estudante)
Diante
dos depoimentos expostos pelos próprios sujeitos da Educação de Jovens e Adultos
sobre as mudanças trazidas pela tecnologia ao dia-a-dia das relações sociais,
parece-nos oportuna a colocação de Michel Tardy (1976) quando assinala que:
De
um ponto de vista cultural e pedagógico, a existência dos meios audiovisuais de
comunicação de massa cria uma situação totalmente inédita. É preciso que se
diga que sua situação é eminentemente incômoda. No relacionamento pedagógico
habitual, o professor sabe, os alunos sabem, ou não sabem grande coisa. [...]
os alunos têm um conhecimento das mensagens visuais e uma familiaridade no que
respeita a elas que os adultos não possuem. Além do mais, a nova geração nasceu
num universo invadido pela imagem: esta sempre fez parte de seu horizonte
cultural. Em contrapartida, os adultos que desEducação de Jovens e Adultos
interessar-se seriamente pelas imagens são obrigados a fazer uma verdadeira
conversão mental e vivem dolorosamente um processo laborioso de aculturação. (MICHEL
TARDY,1976, p. 26).
Podemos afirmar que o avanço da tecnologia tem afetado
vários aspectos da nossa vida. E a escola, como parte importante desse mundo,
cujas referências de poder e conhecimento têm se alterado fortemente, não pode
ignorar esse processo. A escola, vista como a principal agência alfabetizadora,
é o espaço onde os sujeitos que não tiveram a oportunidade de “aprender a ler e
escrever no tempo certo” possam adquirir os códigos e símbolos culturais para a
sua inserção na sociedade gafocêntrica.
Cercados pelas tecnologias
e pelas mudanças que elas acarretam no mundo, Sampaio e Leite (2010) defendem
que:
O papel da
educação deve voltar-se também para a democratização do acesso ao conhecimento,
produção e interpretação das tecnologias, suas linguagens e consequências. Para
isso torna-se necessário preparar o professor para utilizar pedagogicamente as
tecnologias na formação de cidadãos que deverão produzir e interpretar as novas
linguagens do mundo atual e futuro. (SAMPAIO e LEITE, 2010, p. 15)
Nesse
sentido, podemos nos questionar: quando e como os professores lidam pedagogicamente
com as TIC no desenvolvimento de suas disciplinas na Educação de Jovens e
Adultos? Sobre essa questão, as professora Arlete e Madalena expõe:
Não
é fácil trabalhar com as tecnologias em sala de aula, principalmente com
adultos. Como os professores nem sempre é preparado, há sempre dúvidas sobre o
melhor jeito de usar as tecnologias no auxílio do processo envolvendo o ensinar
e o aprender. (Arlete, professora)
Eu
uso a TV pendrive de vez em quando. É muito cansativo ficar copiando no quadro
o tempo todo. Então levar músicas para a sala de aula, passar filmes é
significativo e é bem vindo sempre. (Madalena, professora)
Para
os professores, é importante que o professor domine o uso das tecnologias
porque elas estão no mundo e participam da produção econômica e cultural, como
ressalta a coordenadora da Educação de Jovens e Adultos:
As
tecnologias estão por toda parte: nas ruas, nas lojas, nos supermercados, nos
bancos, nos hospitais, no trabalho, nos meios de transportes, na vida em geral
das pessoas. Por isso, a inserção das tecnologias no ambiente escolar é fundamentalmente
importante. Mas não basta simplesmente informatizar a escola. É preciso pensar
em formação docente para o uso dessas tecnologias, para que o professor possa
utilizar outras estratégias de trabalho para além do quadro e o giz. (Tatianne,
coordenadora da Educação de Jovens e Adultos).
Sobre a questão da
formação tecnológica do professor, uma professora completa dizendo que
Como
podem exigir que a gente trabalhe corretamente com as tecnologias no cotidiano
da sala de aula se nos é negado a formação necessária para atuar com essas
ferramentas? Antes de cobrar esse papel do professor, precisa-se criar
políticas públicas que deem ao profissional docente a oportunidade de se
familiarizar com as tecnologias; caso contrário, estaremos caminhando na contra
mão. (Carmelita, professora)
Diante deste quadro, são
oportunas as palavras de Sampaio e Leite (2010), as quais deixam claro que para
utilizar pedagogicamente as tecnologias e desenvolver uma proposta de
alfabetização tecnológica, é necessário desenvolver também uma nova pedagogia,
pois não adianta “empregar uma nova tecnologia para aplicar uma velha
pedagogia” (Sampaio e Leite, 2010, p. 66 apud
Marinho, 1987, p.60).
Ainda se tratando da importância
da inserção das TIC no trabalho pedagógico com as turmas de jovens e adultos, alguns
educadores atuantes na nessa modalidade depõem:
Se o
professor souber trabalhar, as ferramentas tecnológicas podem, sim, ajudar no
trabalho pedagógico, auxiliando no processo de ensino e aprendizagem. É tanto
que, senão fossem esses recursos, alguns conteúdos nem poderiam ser ensinados.
(Tatianne, coordenadora da Educação de Jovens e Adultos).
O
aluno, jovem ou adulto, precisa aprender a manusear o computador. É uma exigência
da sociedade atual. Então, seria interessante que esse recurso fosse
introduzido na sala de aula para que o aluno pudesse digitar textos, conhecer
programas, como o Excel, ler mapas virtuais, fazer pesquisas. (Arlete,
professora).
Sobre
a relação que os alunos mantêm com as ferramentas tecnológicas fora e dentro do
ambiente escolar, verificamos o seguinte:
Eu não sei mexer
com computador, com essas coisas de internet. Essas coisas é de gente nova, é
pra ‘rapaziada’ que ainda está com a cabeça fresca. Eu já estou velho e não
aprendo mais a mexer nessas coisa. Mas é ruim não saber mexer nessas coisas.
Por exemplo, eu preciso depender do caixa na hora de tirar a aposentadoria
porque não sei mexer nas máquina de sacar o dinheiro. Na minha época não tinha essas coisa, então a
gente não aprendeu. Já a ‘moçada’ de hoje é esperta, aprende a mexer nessas
coisa rapidinho. (Seu João, estudante).
Eu gostaria de
aprender a manusear o computador. Mas acho que já estou velha pra isso. [...] e
a escola não tem laboratório pra ensinar a gente. (Dona Maria, estudante).
Meu filho comprou
um computador e me ensinou a mexer nele. Agora, quando o professor passa um
trabalho eu mesmo faço a pesquisa. Antes eu tinha que pagar para pesquisar,
hoje já faço sozinha. (Helena, estudante).
Ao
estabelecer um paralelo entre a inserção das TIC na sala de aula, em particular
no que se refere ao uso de tais recursos como ferramenta pedagógica auxiliar no
processo de ensino-aprendizagem de jovens, adultos ou idosos, podemos afirmar que
se trata de um desafio a ser encarado. Isso porque a utilização de tecnologias
digitais em ambientes escolares e, nesse caso, na Educação de Jovens e Adultos,
é ainda muito incipiente, embrionário, e carecem de estudos, análise e
fundamentação teórica e metodológica.
Assim,
no que se refere ao impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação - TIC no
cotidiano da Educação de Jovens e Adultos podemos perceber uma realidade
caracterizada pelas relações de inclusão e exclusão que tais tecnologias envolvem.
Neste sentido, torna-se possível, com a inserção das tecnologias no contexto
escolar, verificarmos o importante papel que as práticas educativas desempenham
no processo de ensino-aprendizagem com esses estudantes ao oportunizar lhes o
acesso a esses bens, como fica evidenciado na fala de uma professora ao afirma
que:
Inserir as
tecnologias no cotidiano dos jovens e adultos é dar a esses sujeitos a
oportunidade de conhecer e se familiarizar com esses instrumentos, os quais
nunca teve a chance de apreciar. Há alunos da EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS que
não sabem nem ligar um computador. Então, não ter a escola um laboratório de
informática é como negar a esse aluno o direito de aprender algo que a
sociedade exige. Como sabemos, esse aluno já teve negado o direito de estudar
no tempo certo. [...] não saber mexer num computador, hoje, é estar na condição
de excluído. E é nessa condição que esses jovens e adultos se encontram. (Tereza,
professora).
Os estudantes da Educação
de Jovens e Adultos já foram desrespeitados quando tiveram seu direito à
educação negado, então cabe agora um procedimento que vise o acesso ao direito
de afirmação da identidade dos educandos, sua cultura e seu saber, interligando-os à realidade do mundo atual.
E o que dizer das políticas públicas voltadas para a
inserção das novas tecnologias no contexto escolar da Educação de Jovens e
Adultos? Tal questão merece reflexões. Como se sabe, os compromissos relativos
à Educação de Jovens e Adultos firmados pelo Ministério da Educação - MEC em
encontros internacionais, desde a Conferência Educação Para Todos, em
Jomtien/Tailândia (1990), seguido da V CONFITEA, em Hamburgo/Alemanha (1997),
da Cúpula Mundial de Educação, em Dakar/Senegal (2000), dentre outros eventos
de caráter educacional, incluem a necessidade das tecnologias digitais para o
esforço de alcançar as metas da educação para todos. Considerando
as especificidades da Educação de Jovens e Adultos, na última conferência da
UNESCO sobre a educação de adultos, a CONFINTEA, realizada em 1997, em Hamburgo
(Alemanha), com a participação de agentes governamentais e não governamentais
de diversos países, firmaram compromissos para a formulação de políticas de
acesso às novas tecnologias, incluindo o Brasil.
Sendo
assim, segundo tais propostas, que detalham os compromissos para a Educação de
Jovens e Adultos, as chamadas TIC devem promover, na educação de adultos, uma
comunicação interativa, uma maior compreensão e cooperação entre povos e
culturas, a difusão de filosofias, criações culturais e modos de vida dos
alunos, o acesso à educação à distância, a exploração de novas modalidades de
aprendizado, o exercício crítico a partir de análises dos meios de comunicação,
a divulgação de material didático, a promoção do uso legal de propriedade
intelectual e o reforço a bibliotecas e instituições culturais (CONFERÊNCIA,
1999, 49 -50). Como já foi bastante mencionado, a
tecnologia vem fazendo parte constante do dia-a-dia das pessoas como, por
exemplo, o aumento dos caixas eletrônicos nas agências financeiras, a consulta
de preços de mercadorias nos supermercados, entre outros. Daí, a necessidade em
disponibilizar aos alunos, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, uma aprendizagem
significativa utilizando, por exemplo, as tecnologias da informação e da
comunicação, de modo que as novas formas de aprendizagens tornem significativas
para o estudante como também para o professor. Só
com uma proposta pedagógica que abarque tais concepções poderá alcançar a
cidadania plena, a igualdade e a socialização neste mundo globalizado,
caracterizado pela presença maciça da tecnologia.
Afinal, as TIC e as suas
influências são visíveis fora e dentro do ambiente da sala de aula e podem
representar importante papel como ferramenta auxiliar no processo de
ensino-aprendizagem, tanto na Educação de Jovens e adultos, como em qualquer
modalidade de ensino. Portanto, é certo que sua existência pode catalisar
transformações não somente na sociedade, mas também nos modos de
ensinar/aprender e no modo de ser do professor e do aluno. A palavra chave é
‘saber’ utilizar essas ferramentas em prol da construção de uma educação com
qualidade social para todos e todas.
Algumas conclusões...
Assim, diante das reflexões expostas no tocante à
relação entre as TIC e a Educação de Jovens e Adultos, concluímos que existem
muitos jovens, adultos e idosos com a necessidade de uma formação abrangente,
que lhes oportunize o acesso à cultura digital, às novas linguagens do mundo atual e futuro. À luz de uma
educação com sentido amplo, que extrapole os muros da escola, acreditamos que
inserir as Tecnologias da Informação e Comunicação no cotidiano da Educação de
Jovens e Adultos irá contribuir para tornar esses sujeitos cidadãos
independentes, conhecedores de sua cidadania e, assim, conseguirão projetar-se
na vida como indivíduos politizados, emancipados e socializados neste mundo
globalizado e inovador, caracterizado pela crescente expansão das tecnologias, que
invadem a cada dia os setores da vida social, econômica, política e cultural.
Em suma, as
análises apresentadas neste estudo possibilitaram a elaboração de algumas reflexões
acerca dos limites e das possibilidades das tecnologias digitais na educação de
jovens e adultos. Foi possível constatar que a utilização de tais ferramentas em
ambientes escolares e, nesse caso, na Educação de Jovens e Adultos, é ainda
muito incipiente. Portanto, consideramos que este trabalho não se dá por
encerrado, em função de tratar-se de uma temática ainda muito recente e necessitando
de outros estudos e análises, novos olhares e discussões.
Enfim, esperamos com as abordagens aqui apresentadas, suscitem
novas reflexões sobre a necessidade da inserção das Tecnologias da Informação e
Comunicação – TIC no contexto da Educação de Jovens e Adultos, uma vez que esse
público está inserido em uma sociedade cada vez mais marcada pela presença da
tecnologia e precisa, portanto, conhecê-la e dominá-la, para que possam sair da
condição de excluídos para a condição de sujeitos familiarizados com a cultura
digital.
Referências
BABIN, Pierre;
KOULOUMDJIAN, Marie-France. Os novos modos de compreender: a geração do
audiovisual e do computador. São Paulo: Edições Paulinas, 1989.
BARCELOS, Valcão. Formação de professores para educação de jovens e adultos.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.
BARRETO, R.G. Tecnologia
e educação: trabalho e formação docente. Campinas: Vozes, 2004.
BELLONI, M.L. Educação
a distância. Campinas: Autores Associados, 1999.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo:
Brasiliense, 1995.
BRASIL. Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, MEC, 1996.
CASTELLS, M. A
galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade.
Trad. De Maria Luiza Borges. Rio de Janeiro; Zahar, 2003.
CECCON, O. A vida na escola e a escola da vida. 15. ed. São Paulo:Vozes, 1982.
CUNHA, Maria I.
da. O bom professor e sua prática. Campinas: Papirus, 1989.
DEMO, Pedro.
Informação pedagógica. In:______. Formação de educadores: inquirindo
alternativas. Rio de Janeiro, 1994, p. 23-31.
DESLANDES, Suely Ferreira. Pesquisa social: teoria, método e
criatividade. MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). 10. ed. Petrópolis,
RJ:Vozes,1994., 2004.
DURANTE, Marta. Alfabetização de adultos:
leitura e produção de textos. Porto Alegre: Artmed, 1998. p. 15 – 43.
ESTEBAN, Maria Tereza. ZUCCUR, Edweges
(Org.). Professora-pesquisadora: uma práxis em construção. Rio de
Janeiro, 2002.
FIGUEIREDO, Nébia Almeida de. Método e metodologia na pesquisa
científica. 3. ed. São Caetano do Sul, SP: Yendis, 2008.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.
34. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez: Autores Associados,
1989.
GADOTTI, Moacir; ROMÃO, Eustáquio
(Orgs.). Educação de jovens e adultos: teoria, prática e proposta. 7. Ed.
São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2005.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar
projetos de pesquisa. 3. ed. Sã Paulo: Atlas, 1991.
IANNI, O. A era do globalismo. 2. Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1996.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da
informática. Rio de Janeiro: editora 34, 1993.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos
conteúdos. 7 ed. São Paulo: Loyola, 1984.
LOKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia
científica. 26. ed. São Paulo: Atlas, 1991.
LUCKESI, C. Carlos. Tecnologia
Educacional. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.
LUDKE, Menga. Pesquisa em educação:
abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MATTELART, A. História da sociedade da informação. São Paulo: Loyola, 2001.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa
social: teoria, método e criatividade. 10. ed. Petrópolis,RJ:Vozes, 1994.
MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 6.
ed. São Paulo: Atlas, 2004.
MOURA,
Tânia Maria de Melo. A prática
pedagógica dos alfabetizadores de jovens e adultos: contribuições de
Freire, Ferreiro e Vygotsky. 3 ed. Maceió: EDUFAL, 2004.
MORTATTI, Maria do Rosário Longo. Educação e letramento. São Paulo:
UNESP, 2004.
OLIVEIRA,
Inês Barbosa de; PAIVA, Jane (Orgs.). Educação
de jovens e adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.
PAIVA, Vanilda. História da educação popular no Brasil: educação popular e educação
de adultos. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2003.
SAMPAIO, Maria Narcizo; LEITE, Lígia
Silva. Alfabetização tecnológica do
professor. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2010.
SANCHO, J.M. Tecnologias da informação e
comunicação a recursos educativos. In: SANCHO, J.M. et al. Tecnologias para
transformar a educação. Trad. De Valério Campos. Porto Alegre: Artmed,
2006. p. 15-41.
SAVIANI, D. Pedagogia histórico crítica: primeiras aproximações. São Paulo:
Cortez &Autores Associados, 1991.
SILVA, T.E.; FRIRE, F.; ALMEIDA, R. Q.
(coord.). A leitura nos oceanos da
internet. São Paulo: Cortez, 2003.
SOARES, Leôncio (Org.). Aprendendo com a diferença: estudos e
pesquisas em educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
TARDY, Michel. O professor e as imagens. São Paulo: Cultrix, 1976.
[1] Graduanda de Pedagogia com
Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos pela Universidade do
Estado da Bahia – UNEB, Campus XVII – Bom Jesus da Lapa – BA e Professora da
Educação Básica. E-mail: helida_barros@hotmail.com
[2] Graduando de Pedagogia com
Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos pela Universidade do
Estado da Bahia – UNEB, Campus XVII – Bom Jesus da Lapa – BA e Professor da
Educação Básica. E-mail: silvano_uneb2009@yahoo.com.br
3 Doutorando em Educação da
Universidade de Brasília. Professor Assistente da Universidade do Estado da
Bahia – Campus de Bom Jesus da Lapa. E-mail: josevalmiranda@yahoo.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário