quarta-feira, 22 de abril de 2015

Pedagogia do entretenimento”: os desenhos animados como “máquinas que ensinam” [1]

Silvano Messias dos Santos
Pedagogo pela UNEB, Campus XVII – Bom Jesus da Lapa – BA. 

Tainara da Silva Costa
Pedagoga pela UNEB, Campus XVII – Bom Jesus da Lapa – BA. E-mail: tainara_lapense@hotmail.com

Edna Souza Moreira
Professora da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XVII. Mestre em Educação. E-mail: ednamoreira_jb@yahoo.com.br


RESUMO:
Embasado teoricamente em autores como Giroux (2004), Adorno & Horkheimer (2000), Salgado (2005), Ciampa, (1987), Dubar (1997), Steinberg & Kincheloe (2004), dentre outros, o artigo se propõe a tecer considerações sobre os desenhos animados veiculados pela televisão aberta e disponibilizados em locadoras e múltiplos estabelecimentos, dentre os quais estão “Branca de Neve” e “Cinderela”. Deste modo, pretende-se, aqui, explorar o extenso universo das publicações infantis produzidas pela Walt Disney – em especial os desenhos animados – e suas implicações enquanto “máquinas de ensinar” que não somente divertem, mas exercem papel educativo. Assim sendo, este trabalho busca compreender a essência das histórias animadas, muitas vezes constituídas de mensagens subliminares, ideais, valores e ideologias que estão nas entrelinhas e que somente são percebidas através de uma análise crítica-reflexiva e de uma leitura minuciosa. Para tanto, baseamo-nos nos seguintes questionamentos: os desenhos animados “educam” ou “deseducam”? Tais filmes influenciam na construção da identidade infantil? Podem ser considerados “máquinas que ensinam”? Ou estão voltados somente para a “pedagogia do entretenimento”?

PALAVRAS-CHAVE: Desenhos animados; Identidade infantil; Pedagogia do entretenimento.

ABSTRACT
Theoretically grounded in authors such as Giroux (2004), Adorno & Horkheimer (2000), Salgado (2005), Ciampa, (1987), Dubar (1997), Kincheloe & Steinberg (2004), among others, the article proposes to consider this some cartoons aired on broadcast television and video stores and available in multiple outlets, which include "Snow White" and "Cinderella." Thus, it is intended here to explore the vast universe of children's publications produced by Walt Disney - especially the cartoon - and its implications as "teaching machines" that not only fun but educational role play. Thus, this work seeks to understand the essence of the animated stories, often consisting of subliminal messages, ideals, values ​​and ideologies that lie between the lines and are only perceived through a critical analysis and reflective and a thorough reading. To this end, we rely on the following questions: the cartoon "educate" or "miseducate"? Such films influence children's construction of identity? Can be considered "teaching machines"? Or are oriented exclusively to the "pedagogy of entertainment"?

KEYWORDS: cartoons; Identity child; Pedagogy of entertainment.

1. Considerações iniciais

Príncipes e princesas exóticas e estereotipadas, castelos e reinos encantados, heróis e heroínas excêntricas, abundância de vilões, bruxas, fantasias e mágicas – são essas algumas das entidades e artifícios que compõem os contos de fada, os desenhos animados e tantas outras invenções da cultura infantil, produzidas, em grande parte, pela respeitada empresa de mídia conhecida internacionalmente como Walt Disney. Feitas especialmente para as crianças, embora muitos adultos delas também se apropriam, essas obras, através de seus personagens e ambientações, transmitem valores, ou seja, legitimam condutas, pregam valores, reproduzem ideologias, constroem culturas e induzem prazeres. E aí, questionamos: não seriam essas produções, então, construtores de cultura? Não seriam, pois, “máquinas que ensinam”? Sobre essas questões, Giroux (2004) assinala que as histórias infantis, presentes em livros, revistas e filmes, por exemplo,
                              
parecem ao mesmo tempo inspirar a autoridade e a legitimidade culturais para ensinar papéis, valores, e ideais específicos, tanto quanto o fazem os locais mais tradicionais de ensino, como as escolas públicas, instituições religiosas e a família.(GIROX in STEINBERG & KINCHELOE, 2004, p. 89)


Percebe-se, portanto, que a função dos desenhos animados excede os limites do entretenimento: exercem, também, um papel educativo. Em outras palavras, podemos dizer que os desenhos animados se constituem enquanto ferramentas de aprendizagens. Daí a importância de os pais, professores e outros adultos prestarem atenção no quanto é necessário ir além de tratar esses filmes como simples diversão: é preciso questionar as mensagens que há por traz deles.
Entretanto, sabemos que a “Cultura do Reino Encantado” [2] nem sempre é questionada, tampouco percebida pela maioria da população como “máquina de ensinar”. Pelo contrário, acredita-se, em geral, que os desenhos animados são bons para as crianças, pois estimulam a fantasia e a imaginação, exercendo, assim, a função de entretê-las. Mas será que esses filmes somente entretem? Não podemos negar uma coisa: os desenhos animados surgiram para ser veículos de diversão e, como sabemos, conseguem desempenhar muito bem esse papel, visto que são altamente procurados e apreciados pelas crianças – e também por adultos – do mundo todo. No entanto, como já mencionado, é importante bater sempre na tecla e enfatizar que esses filmes, assim como divertem, educam.
Portanto, precisa-se considerar que a responsabilidade social da Walt Disney, enquanto um dos maiores estúdios de animação e entretenimento do planeta, vai além do prazer e do divertimento que proporciona. Ou seja: faz-se necessário enxergar a Disney como uma empresa de mídia responsável não apenas nas bilheterias como também em termos políticos e éticos. Neste sentido, faz-se mais uma vez oportuno as palavras de Giroux (2004) quando este afirma que:

antes de ser visto como uma esfera pública comercial, distribuindo inocentemente prazer às pessoas jovens, o império Disney deve ser visto como um empreendimento pedagógico politicamente engajado no espaço cultural da identidade nacional e na “instrução” da mente das crianças. Isso não é sugerir que haja algo sinistro por traz do que a Disney faz, mas sim apontar para a necessidade de refletir sobre o papel da fantasia, desejo e inocência para assegurar desejos ideológicos particulares, legitimando relações sociais específicas e influenciando de maneira significativa a memória pública. (GIROUX in STEINBERG & KINCHELOE, 2004, p. 106)

Como se percebe, a força e a influência da Walt Disney são muito sutis na sociedade.  Diante dessas considerações, mais uma vez podemos indagar: deveriam ser as animações da Disney ignoradas ou censuradas? São os desenhos animados bons ou ruins para as crianças? Tais filmes “educam” ou “deseducam”, ou seja, podem ser considerados como “máquinas que ensinam”? Seriam eles capazes de levar outro tipo de mensagem ao público senão aquela destinada a distraí-lo? Ou estão voltados somente para a “pedagogia do entretenimento”? Podemos ir mais longe: de que forma os desenhos animados influenciam na construção da identidade infantil? Que ideologias/valores/ideais essas animações inspiram/sustentam/transmitem?                                                                                                                   
Debruçados sobre essas e outras questões, exploraremos, neste trabalho, o extenso universo das publicações infantis e suas implicações enquanto “máquinas de ensinar” que vão além de uma simples “pedagogia do entretenimento”. Então, apresentaremos uma leitura crítica de dois filmes infantis produzidos pela Walt Disney, os quais são: Branca de Neve e Cinderela. Deste modo, refletiremos sobre a visão de infância e de sociedade apresentada por esses filmes, bem como as relações de poder e tantas outras mensagens implícitas relacionadas à construção de uma cultura de prazer e inocência oferecida às crianças, cultura essa que reúne ideologias diversas, como: padrões de beleza e consumo, questões de gênero, estereótipo racial/sexual, relações sociais, imagens de ciência/violência/expressão de poder, dentre tantas outras.  

2. A construção da identidade infantil através dos desenhos animados: tecendo considerações

Quase todo mundo fala agora sobre “identidade”. A identidade só se torna um problema quando está em crise, quando algo que se supõe ser fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza. (MERCER, 1990, p. 4)
  
Em um primeiro momento, convém trazer para o debate o entendimento que se tem sobre o conceito de “identidade”. Afinal, o que significa “identidade”? Segundo Dubar (1997),


[...] a identidade humana não é dada, de uma vez por todas, no ato do nascimento: constrói-se na infância e deve reconstruir-se sempre ao longo da vida. O indivíduo nunca constrói [sua identidade] sozinho: depende tanto dos julgamentos dos outros, como das suas próprias orientações e autodefinições. [Assim] a identidade é produto de sucessivas socializações. (DUBAR, 1997, p. 13)

Referendando-se em autores contemporâneos como Bauman (2005) e Hall (2001), por exemplo, podemos dizer que se até há algumas décadas o termo “identidade” não estava nem perto do centro do nosso debate,  atualmente é um conceito que tem sido extensamente discutido e utilizado em diversas áreas do conhecimento por diferentes sociólogos, antropólogos e teóricos, configurando, assim, o “papo do momento”.
Em se tratando da construção da identidade infantil, Steinberg & Kincheloe (2004) comentam que as transformações econômicas, sociais e culturais deste século não provocam impacto somente na vida do adulto, mas também na vida da criança, que tem a construção de sua identidade alterada. É neste sentido que alguns teóricos apontam para uma “crise da identidade”, como se pode verificar na citação de Mercer (1990) que abre esta seção.
E que “crise de identidade” infantil seria essa? No prefácio do livro de Steinberg & Kincheloe (2004), intitulado “Cultura infantil: a construção corporativa da infância”, os autores abordam essa questão ao observarem que

o público infantil é um dos mercados mais visados na sociedade de consumo contemporânea. Programas de TV, filmes, videogames, brinquedos, livros e restaurantes são criados para despertar o desejo das crianças e, por conseguinte, atingir o bolso de seus pais. Estas criações direcionadas exclusivamente para as crianças têm produzido uma “cultura infantil” dirigida por executivos do mercado e da propaganda. [Tratam-se, pois, de] ícones que moldam os valores e a consciência das crianças [...] mostrando que eles são um reflexo da nova ordem social e familiar e o quanto influenciam o comportamento e hábitos da nova geração.

Percebe-se, portanto, que as mudanças pelas quais passa a sociedade do século XXI atingem, além do adulto, as crianças, a começar pelo consumismo e desfragmentação da família, bem como o acesso ilimitado desses futuros adultos à informação e tecnologia. Com efeito, mais uma vez fazem-se cabíveis as palavras de Steinberg & Kincheloe (2004):

A mudança na realidade econômica, associada ao acesso das crianças a informações sobre o mundo do adulto, transformou drasticamente a infância. [...] Textos recentes sobre o assunto, tanto na imprensa popular quanto na escola, falam em “perda da infância”, “crianças crescendo muito rápido” [...]. (STEINBERG & KINCHELOE, 2004, p. 13)


Como se percebe, evidencia-se na fala de Steinberg & Kincheloe (2004) uma aproximação com o que Mercer (1990) entende como “crise de identidade”. Diante do que esses autores propõem, novamente questionamos: como definir identidade infantil no contexto de uma sociedade caracterizada pela informação e cultura digital? Em síntese, podemos conceituar identidade pessoal como sendo a maneira pela qual a pessoa se vê, enxerga a si mesma, ou seja, está relacionada à sua própria imagem (o modo como o sujeito se sente, se comporta etc.). Conforme observa Ciampa (1998),

[...] cada indivíduo encarna as relações sociais, configurando uma identidade pessoal. Uma história de vida. Um projeto de vida. Uma vida-que-nem-sempre-é-vivida no emaranhado das relações sociais [...]. No seu conjunto as identidades constituem a sociedade, ao mesmo tempo em que são constituídas, cada uma, por ela. (CIAMPA, 1998, p. 127)

Na mesma linha de pensamento está Fischmann (1994, p. 62), que afirma que “a nossa identidade se constrói a partir da intersecção das circunstâncias que nos cercam com os desejos que trazemos”. Desse modo, entendemos que a sociedade se constitui como o conjunto de identidades pessoais – e coletivas –, configurando, assim, a identidade um fenômeno social.
Partindo do princípio de identidade como metamorfose, faz-se conveniente trazer para o debate a proposta de Ciampa (1993), que entende identidade como construção/reconstrução/desconstrução constantes que acontecem no convívio social, no dia-a-dia das pessoas, na multiplicidade das experiências vividas, na teia das relações estabelecidas ao longo da vida.
Assim sendo, poderíamos assinalar que a identidade se forma num processo contínuo de estruturação e reestruturação que vai acontecendo ao longo da vida, impulsionado pelas relações sociais, as quais se tornam “modelos/padrões” que favorecem, às pessoas, a produção de uma imagem de si mesmas, ou seja, a sua identidade. Isso permite-nos entender que a construção da identidade acontece nas trocas afetivas estabelecidas na vida social em estruturas sociais – como, por exemplo, a família, a escola, a igreja – e nos mecanismos criados pela sociedade – como é o caso da linguagem, presente em diversas manifestações, entre as quais a artística, que inclui o teatro e os desenhos animados.
Assim sendo, o que dizer do processo de construção da identidade em relação à criança? Podem o conteúdo e a estrutura dos desenhos animados exercerem influência no desenvolvimento cognitivo, social, afetivo e psicológico da criança, interferindo, assim, na construção da sua identidade? Como uma possível reflexão sobre essa questão, faz-se oportuno as palavras de Salgado (2005), que diz:

Há uma dimensão educativa nos desenhos animados, principalmente se considerarmos o aspecto ativo dos valores que podem ser construídos quando a criança interage com eles. Isto, por outro lado, não pode se confundir com um tipo de pedagogia diretiva, onde o desenho animado traz valores e modelos determinados que serão copiados pela criança, no sentido de afetar e modelar sua conduta” (SALGADO, 2005, p. 8)

Muita gente acredita que as entidades e artifícios que compõem os desenhos animados – príncipes e princesas, castelos e reinos encantados, heróis e heroínas, bruxas e magias – não passam de ficção, ou seja, “são coisas apenas de desenho animado”. Em outras palavras, essas pessoas querem dizer que no mundo real, ou seja, no mundo da não-fantasia, a vida é diferente. E aí, questionamos: será mesmo? O fato é: as produções destinadas à infância não estão descontextualizadas da identidade das crianças e das escolhas que elas fazem. Como analisa Pillar (2001), a criança encontra sentido para distintas formas da realidade e tende a considerar tudo o que vê na televisão – filmes, desenhos animados, fotografias, fantasias ou notícias – como reais, o que lhe possibilita imaginar e construir a sua subjetividade, ou seja, a sua identidade.

3. Do olhar mágico (ingênuo) ao olhar crítico sobre a “Cultura do Reino Encantado”: vendo para além do que os olhos vêem


            O que se entende por ideologia? Nas palavras de Steinberg & Kncheloe (2004),

a ideologia é como o cristal que refrata percepções do mundo vivo. Isto não quer dizer que a luz (percepções do mundo) anterior ao encontro com o cristal (ideologia) seja algo divino, luz imaculada (realidade). Nossa visão da ideologia compreende que não existe visão da luz totalmente transcendental; nós sempre a percebemos de algum lugar na malha da realidade. Deixando nossa metáfora para trás, o ponto de destaque aqui é que a cultura infantil serve como um mecanismo de refração ideológico – uma força social que produz um significado particular que induz crianças (e adultos) a interpretar eventos dentro de um limite específico de possibilidades (Thiele, 1986; Donald, 1993; Mumby, 1989). (STEINBERG & HINCHELOE, 2004, p. 25)

Como se pode vê, ideologia pode ser entendida como sendo um conjunto de ideias/crenças/pensamentos de uma pessoa ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas. Em outros termos, podemos dizer que a ideologia está ligada a ações políticas, econômicas e sociais que permitem ao sujeito entender o mundo em um determinado tempo e local.
A essa altura da discussão, faz-se necessário ressaltar que essas crenças, ideias e pensamentos, bem como essa visão de mundo, são dinâmicos e, portanto, sofrem alterações ao longo do percurso histórico, em função de os fatores sociais, políticos e culturais também não serem estáticos e influenciarem o pensamento ideológico de cada época, interferindo, assim, na construção da identidade dos sujeitos.
Se fôssemos exemplificar isso no contexto ao qual pertencemos, poderíamos assegurar que a ideologia na atualidade sofre influência de diversas esferas (da globalização, do consumismo, das tecnologias), estando, dessa forma, presente em diferentes linguagens, linguagens estas transmitidas abertamente por variados meios de comunicação, como a televisão, o rádio, os jornais, as revistas, os filmes, enfim, a mídia em geral.
Partindo de tais pressupostos, é certo que o mundo passou por profundas mudanças nos últimos anos e as identidades das pessoas que habitam esse mundo também passou por mudanças. Ou seja: na medida em que a sociedade se transforma, as pessoas que nela estão inseridas também se transformam. Desse modo, as “crianças de hoje” não são as mesmas “crianças de ontem”, pois, como parte deste mundo, elas acompanham as mudanças que ocorrem na sociedade e incorporam determinados valores.
Para exemplificar essa questão, podemos citar as brincadeiras. Num passado não muito distante, as crianças se reuniam com a família ao redor do fogo, ouviam histórias e cantavam as canções tradicionais de seu grupo. Hoje, como sabemos, a televisão substituiu o fogo e as novelas, filmes e seriados ocuparam o espaço que antes era reservado à contação de histórias. Com a influência dos meios de comunicação, as crianças foram, aos poucos, deixando o pega-pega, o “chicotim queimado” e rendendo-se aos chamados da televisão, mudando, assim, os seus costumes e, conseqüentemente, as suas identidades.
E o que dizer dos desenhos animados na construção dessas identidades? Neste contexto, não é novidade dizer que os desenhos animados fazem parte do imaginário infantil. E aí voltamos a indagar: são bons ou ruins para as crianças desenhos animados como Cinderela e Branca de Neve?
Nas palavras de Giroux (in Steinberg & Kincheloe, 2004),

a questão de os desenhos animados da Disney serem bons para as crianças não tem respostas fáceis, mas ao mesmo tempo é necessário examinar tais filmes fora do tradicional registro de diversão e entretenimento. (HENRY A. GIROUX, 2004. p. 94)


Voltando aos questionamentos lançados na introdução deste trabalho, temos: possui os desenhos animados somente a função de entreter? Ou seriam eles, como já dito, capazes de induzir nas crianças outro tipo de mensagem senão aquela destinada a distraí-las? Que valores/ideais/ideologias essas crianças – que são grandes consumidoras da mídia na atualidade – estão recebendo sem que sequer saibam que estão sendo educadas? Em outras palavras, podemos dizer que esses filmes, mais que promover diversão, educam. Aliás, fazem ambas as coisas. Ou seja: essas produções, sob um disfarce de entretenimento, constroem culturas, induzem prazeres e reproduzem fantasias ideologicamente carregadas de significados.
Ao discorrer sobre indústria cultural, Adorno e Horkheimer (2000) abrem espaço para falar sobre os desenhos animados e sua capacidade de emissão e formação de significados. Assim dizem eles:
                                                                                                                         
os desenhos animados (...) apresentavam ações coerentes que só se resolviam nos últimos instantes no ritmo desenfreado das seqüências finais. O seu desenvolvimento muito se assemelhava ao velho esquema da slapstick comedy (comédia pastelão). Mas agora as relações de tempo foram deslocadas. Desde a primeira seqüência do desenho animado é anunciado o motivo da ação, com base no qual, durante seu curso, possa exercitar-se a destruição: no meio dos aplausos do público, o protagonista é atirado por todas as partes como um trapo. (...) Se os desenhos animados têm outro efeito além de habituar os sentidos a um novo ritmo, é o de martelar em todos os cérebros a antiga verdade que o mau trato contínuo, o esfacelamento de toda resistência individual, é a condição de vida nesta sociedade. (ADORNO e HORKHEIMER, 2000, p.186)


Percebe-se, portanto, que os desenhos animados, mais que entreter, legitimam condutas, pregam valores, reproduzem ideologias, constroem culturas, induzem prazeres. Frente a tais pressupostos, novamente questionamos: ainda que não explicite, que tipo de ideologia os desenhos animados e a mídia em geral de nosso tempo divulgam? Que papéis e identidades ficam evidenciados nessas produções? Em que medida esses filmes incutem na cabeça das crianças a ideologia vigente?
À luz do exposto, temas como masculino/feminino, estereótipo racial, relações sociais, padrões de beleza, consumismo, família etc. podem ser discutidos a partir de uma “leitura” crítica sobre os conteúdos presentes em certas animações midiáticas recentemente produzidas pela Walt Disney e que são populares entre a garotada. Assim, pretendemos, a partir de agora, fazer análise crítica dos seguintes desenhos animados: Branca de Neve e Cinderela.
Para começar, uma das mensagens mais polêmicas que aqui e ali aparecem nos desenhos animados da Walt Disney diz respeito à questão de gênero. De acordo com esses filmes, o que é ser menino e menina?
Ao analisar os desenhos animados direcionados ao público infantil, podemos perceber que as mulheres e meninas estão geralmente subordinadas aos interesses dos homens. Na intenção de agradar o amado, os amigos e a família, as heroínas abrem mão de seus objetivos e tendem a sofrer muito e ser infelizes, além de ser abordadas como ingênuas consumidoras.
No filmes “Cinderela” e “Branca de Neve”, por exemplo, podemos identificar a presença de algumas ideologias relacionadas ao “ser mulher” e ao “ ser homem”. Ao analisar o filme percebemos que o tema “mulher” está vinculado à idéia de mulher enquanto sonhadora, que deseja mais que tudo encontrar um grande amor, presente na figura do príncipe encantado. Deste modo, dá a entender que somente o casamento pode ser a saída para a sua libertação e felicidade, sendo vista pelo homem apenas como genitora, ou seja, como aquela que procria, que cuida da casa e que serve o marido, para quem precisa estar sempre bonita. Percebe-se, nesses filmes, que a mulher é sempre submissa e sem preocupação social, ao passo que o homem é tratado como sendo aquele que ministra o sustento familiar e resolve os problemas femininos. Além disso, geralmente são abordados como sujeitos machistas, fortões, bravos, sedutores e disputados pelas mulheres. Em “Cinderela”, por exemplo, o rei é um homem mandão - uma das características dos personagens masculinos produzidos pela Walt Disney. Em “Branca de Neve”, a supremacia do homem em relação à mulher também se faz presente, evidenciando, assim, a relação de gênero presentes nessas produções.
No que diz respeito ao padrão de beleza, podemos perceber nos filmes “Cinderela” e “Branca de Neve” que ambas as personagens são jovens muito bonitas, inteligentes, bondosas e sonhadoras que, mesmo vestidas em trajes simples, possuem ar de sofisticação. Para começar, ambas as personagens são magras e loiras. Só pelo título de um dos filmes percebe-se um sentido implícito de ideologia: Branca de Neve. Não basta a personagem ser branca, ela é tão branca quanto a neve. Em outras palavras, poderíamos fazer uma relação com o estereótipo racial: por que de modo geral as/os personagens centrais desses filmes não são negros, índios ou pardos? Por que os personagens negros, índios e pardos aparecem em vários desenhos animados assumindo papéis de empregados e escravos, nunca em papéis de destaque? Por que as princesas e os príncipes dos contos de fada não são negras/negros, mas “brancas/brancos como a neve”?
Reforçando essa discussão, Giroux (2004) assinala que esses filmes, aparentemente inofensivos, reproduzem crenças racistas e sexistas presentes nas sociedades. Na mesma linha de raciocínio, Robbins (1997) critica que o ideal de ser humano apresentado na maioria dos desenhos animados é geralmente branco – ou, no mínimo, claro – e pertencente à classe média para cima, enquanto as mulheres são reduzidas a consumidoras boazinhas e os homens, por sua vez, são mostrados como fortes e agressivos.
Outro ponto que pode ser discutido nessas obras se refere à sexualidade. Em “Branca de Neve” e em “Cinderela”, a heterossexualidade é invariante. Nos dois filmes, independente do argumento central do roteiro, há início, meio e fim de um relacionamento amoroso com o clássico final feliz entre um homem e uma mulher. Ao interpretar mais profundamente, podemos perceber nessas produções que o tema sexualidade se faz presente não apenas em seus enredos, mas nos rituais, nas linguagens, nas fantasias, nos símbolos, nas convenções, nos gestos e nas roupas.
E o que dizer dos vilões? Estes, muito diferentes do que se pode encontrar na vida real, são geralmente apresentados nos filmes como não-brancos, feios e sujos. Em se tratando do filme “Cinderela”, a madrasta da personagem título é uma mulher ambiciosa, egoísta, dissimulada e maldosa, que está sempre elegantemente vestida de preto ou cores fortes. E aí questionamos: por que os personagens considerados “maus” desses filmes estão sempre vestidos de preto e contracenando em ambientes escuros e sinistros? Seria o preto sinônimo de monstruosidades?
Outra questão que vem à tona nos desenhos animados se refere ao apelo ao consumismo. A explosão informacional, caracterizada pelas novas tecnologias de informação e comunicação, e o mercado globalizado, banalização do capitalismo, são marcas da sociedade contemporânea. Dentro desse contexto influenciado pelas novas tecnologias de informação, podemos referenciar Adorno e Horkcheimer (1986), autores que discutem o caráter sistêmico da indústria cultural e denunciam os bens padronizados que as mesmas impunham às pessoas do mundo todo.
Sobre essa questão Belarmino Costa (1992) enfatiza que:

O campo simbólico da cultura dominante encontra nos meios de comunicação um terreno estratégico para a generalização da ideologia, no sentido da falsa consciência, dos grupos homogênicos. Contudo, apesar da produção de bens culturais tecnicamente padronizados e distribuídos a uma massa indiferenciada de pessoas, não se pode atribuir à indústria cultural poder absoluto de reprodução da cultura dominante, da estrutura societária e do modelo econômico que ela serve. (BELARMINO COSTA, 1992, p. 185)

Assim como Adorno e Horkcheimer (1986), Belarmino Costa (1992) afirma que a indústria cultural tem caráter sistêmico da padronização da cultura (no rádio, cinema, televisão, jornal etc.) e das normas de fragmentação da informação e da seleção dos fatos tornados públicos, sustentando ideologias.
Deste modo, torna-se necessário acrescentar que, como artifícios dessa indústria cultural, os desenhos animados muitas vezes legitimam e ideologizam símbolos e códigos da camada dominante, reproduzindo e disseminando, assim, modelos e estruturas sociais. A esse respeito, podemos citar o consumismo, inserindo-o no contexto dos desenhos animados e na influência que estes exercem na construção da identidade infantil. Aliás, é comum, hoje, as crianças se fantasiarem de super-heróis, pedirem aos pais que comprem a roupa e o caderno do Batman, a mochila e a sandália da Baby. Percebe-se, portanto, que os desenhos animados estimulam as crianças a consumirem e, deste modo, influenciam a construção de sua identidade.
Segundo Warde (1994), o poder de empresas como Disney, Mattel, Hasbro, Warner Brothers e Mcdonald’s nunca é maior do que quando elas produzem prazer e o associa aos consumidores. De acordo com o autor, recentes estudos culturais sobre o consumo ligam-no à formação da identidade do consumidor, que, no nosso caso, é a criança influenciada pelas mensagens vinculadas nos desenhos animados. Com efeito, de acordo com Steinberg & Kincheloe (2004)

o status na subcultura de um indivíduo, a criação de estilo próprio, o conhecimento de textos culturais, o papel desempenhado na comunidade de consumidores, a competição de personagens de ficção, a interiorização de valores promovida por expressões culturais populares – tudo contribui para nossas identidades. (STEINBERG & KINCHELOE, 2004, p. 20)


Neste contexto, podemos dizer que, seguindo a lógica da indústria cultural que produz os desenhos animados, novos enredos e personagens são, periodicamente, lançados no mercado. Por conta disso, passam a ilustrar, como modismo, uma série de produtos, como, por exemplo, mochilas, camisetas, sandálias, bonés, capas de cadernos, chaveiros etc. Para completar, personagens de destaque são transformados em bonecos, influenciando, deste modo, o consumo por parte das crianças. Desnecessário dizer que assim vem ocorrendo com vários desenhos, a exemplo de “Branca de Neve” e “Cinderela”, os quais, por meio do apelo à cultura do consumo, reforçam valores típicos da economia capitalista ao lançar no mercado roupas e brinquedos.                                                                                                                         No que diz respeito ao apelo dos recursos eletrônicos à cultura do consumo, Steinberg & Kincheloe (2004) expõem:

Não há nada transparente sobre programas de TV ou filmes infantis, mas mensagens vêm sendo enviadas às nossas crianças com a intenção de trazer à tona pontos de vista particulares e ações que são o maior interesse daqueles que os produzem [...] Estas corporações que fazem propaganda de toda parafernália para as crianças consumirem promovem uma “teologia do consumo” que efetivamente promete redenção e felicidade através do ato de consumo (ritual). (STEINBERG & KINCHELOE, p. 24)


De acordo com este raciocínio, Adorno & Horkheimer (1997) assinalam que a indústria cultural impede a formação de sujeitos independentes, autônomos, capazes de decidir e julgar conscientemente. Para compreender suas reflexões acerca dessa questão, com a palavra Adorno & Horkheimer (1997):

Eles reproduzem a vida do opressor ao mesmo tempo que a sua própria vida e ele não pode mais fugir a seu papel social. [...] O acorrentado assiste a um concerto escutando imóvel, como fará o público de um concerto, e seu grito apaixonado pela liberação perde-se num aplauso. Assim o prazer artístico e o trabalho manual se separam na despedida do antemundo. A epopéia já contém a teoria correta. Os bens culturais estão em exata correlação com o trabalho comandado e os dois se fundamentam na inelutável coação à dominação social sobre a natureza (ADORNO & HORKHEIMER, 1997, p. 45).

Em suma, os desenhos animados, além da função de entretenimento e lazer que oferecem, podem servir tanto à consciência quanto à alienação, podem tanto impulsionar a criatividade quanto servirem de paralisadores de criatividades, podem afetar tanto o comportamento do sujeito quanto crenças e valores que possui. Enfim, podem esses filmes canalizar gostos e incutir idéias, massificando o público infantil e moldando, assim, identidades.  Daí a necessidade de pais e educadores passar do olhar mágico (ingênuo) ao olhar crítico sobre a “Cultura do Reino Encantado”.

4. A pedagogia dos desenhos animados: o que a escola tem a ver com isso?


Dada a influencia que a ideologia da Disney  exerce nas crianças, é imperativo para os pais, professores e outros adultos entenderem como tais filmes atraem a atenção e burilam os valores da criança que os vêem e os compram. (GIROUX in STEINBERG & KINCHELOE, 2004, p. 94)


Não podem os educadores pensar que a Walt Disney produz desenhos animados pensando somente no lucro: precisam estar cientes de que esses filmes, para além de entreter, legitimam condutas, pregam valores, induzem prazeres, constroem culturas, ou seja, reproduzem ideologias.
Portanto, o professor, ao trabalhar com desenhos animados, precisa ter em mente que, sem análise crítica, estará colaborando para a disseminação de ideologias. Pedagogicamente falando, isso significa dizer que não basta visar somente passatempo ao oportunizar que os alunos assistam a tais filmes. Dada essa importância, questionamos: é possível transformar desenhos animados como “Cinderela” e “Branca de Neve” em material didático? Como, quando e por que usar didaticamente o desenho animado?
            Como uma possível reflexão acerca dessas questões, Eco (1976) expõe que

a cultura de massa não seria boa ou má. O que determina a sua qualidade é o uso, o que se pode fazer diante de suas possibilidades pedagógicas e culturas. Daí se pode pensar em alfabetização através do rádio e da televisão ou de programas educativos informais, mediados pela comunicação de massa. (ECO, 1976, p. 43-48)

           
Com relação aos desenhos animados, pode-se concluir a mesma coisa. São eles bons ou ruins para as crianças? De acordo com o pensamento de Eco (1976), o resultado positivo ou negativo vai depender da forma como essas ferramentas são utilizadas. Com efeito, nas palavras de GIROUX (in STEINBERG & KINCHELOE, 2004)

[...] é crucial que o campo da cultura popular que a Disney cada vez mais usa para ensinar valores e vender mercadorias seja levado a sério como um local de aprendizado, especialmente para crianças. Isso significa, no mínimo, que deve ser incorporado nas escolas como um objeto sério de conhecimento social e análise crítica. [...] pais, grupos comunitários, educadores e outras pessoas que se preocupam devem estar atentos para as mensagens nesses filmes a fim tanto de criticá-los quando necessário quanto, mais importante, de exigir deles finais produtivos. (GIROUX in STEINBERG & KINCHELOE, 2004, p. 103).


Assim sendo, faz-se necessário ressaltar que os filmes produzidos pela Walt Disney precisam ser vistos pelos pais e educadores com uma visão para além da fantasia e do entretenimento. Em consonância com Giroux (2004), os profissionais da cultura e educadores precisam (re) problematizar as questões políticas e pedagógicas no discurso do entretenimento oferecido pelos desenhos animados. Acerca dessa questão, assim pronuncia Giroux (2004):

É pedagogicamente imperativo que pais, educadores e profissionais da cultura estejam atentos a como esses filmes da Disney e a mídia visual são usados e entendidos diferentemente por diversos grupos de crianças. [...] educadores e profissionais da cultura precisam mais do que conhecer a necessidade de levar a sério a produção das formas de arte popular nas escolas; também [...] não pode haver pedagogia cultural sem práticas culturais que explorem as possibilidades de diferentes formas de arte popular e revelem os o talento dos alunos. A questão aqui é que estudantes não deveriam meramente analisar a representação da cultura popular transmitida pela mídia eletrônica – eles devem também estar aptos a dominar as habilidades e a tecnologia para produzi-las. (GIROUX, 2004, p. 105-106)

Enfim, a questão não é censurar ou ignorar os filmes infantis produzidos pela Walt Disney, visto que muitas lições podem ser aprendidas a partir do conhecimento das mensagens ideológicas que estão por trás da visão que a Walt Disney tem do mundo. Assim, conclui-se que os desenhos animados não são anjos nem demônios. Como bem diz Eco (1976), o que determina a sua qualidade é o uso que fazemos deles.

5. Concluindo sem concluir...

Não foi a nossa intenção insinuar que há algo monstruoso por trás dos desenhos infantis produzidos pela Walt Disney, mas apresentar uma discussão crítica sobre as mensagens ocultas apresentadas nesses filmes, muitas vezes produzidos como ferramenta ideológica a fim de reforçar valores.
Assim, buscamos, neste trabalho, compreender a essência das histórias contidas nos filmes infantis, freqüentemente constituídas de mensagens subliminares, ideais, valores e ideologias que estão nas entrelinhas e que somente são percebidas através de uma análise crítica-reflexiva e de uma leitura minuciosa. Neste sentido, este estudo tentou refletir sobre como se configura a construção da identidade de crianças através dos filmes infantis animados, chegando à conclusão de que essas produções midiáticas moldam os valores e a consciência das crianças, influenciando, assim, no comportamento e hábitos da nova geração.
À luz desses pressupostos, consideramos que este trabalho não se dá por concluído, visto que trata-se de uma temática carente de novas discussões e olhares, outros estudos e análises. Em suma, esperamos que as discussões aqui apresentadas tenham suscitado algumas reflexões, como:
·         Os desenhos animados “educam” ou “deseducam”? Influenciam na construção da identidade infantil?
·         Podem ser esses filmes considerados “máquinas que ensinam”? Ou estão voltados somente para a “pedagogia do entretenimento”?
·         Por que, como e quando usar didaticamente o desenho animado em sala de aula?
Ao invés de respostas, optamos em “terminar” este trabalho com perguntas. E estão aí algumas perguntas; sintam-se convidados/convidadas a buscarem respostas.

Referências:

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Bauman, Z. Identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

CIAMPA, A. da C. A estória do Severino e a história da Severina. São Paulo: Brasiliense, 1998.
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COSTA, Belarmino Cesar Guimarães da. Indústria cultural: análise crítica e suas possibilidades de revelar e ocultar a realidade. In: ______. PUCCI, Bruno (Org.). Teoria Crítica e educação: a questão da formação cultural na Escola de Frankfurt. Petrópolis: Vozes, 1994.

DUBAR, J.. Múltiplos olhares sobre educação e cultura. Belo Horizonte: EDUFMG, 1996.
ECO, Umberto. A Theory of Semiotics, Bloomington. Indiana Univ. Press, 1976.
FISCHMANN, R.. Redefinição do público e do privado: contribuição para a reflexão educacional. In: ______. ALVES, M. L.. Escola: espaço de construção da cidadania. São Paulo: F.D.E., 1994.

GIROUX, A. Henry. Os filmes da Dinney são bons para seus filhos? In: ______. STEINBERG, Shirley R.; Kincheloe Joel L. (Orgs). Cultural infantil: a construção corporativa da infância. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004. p. 89-108. 

Hall, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2001

HORKHEIMER, M., e ADORNO, T. W.. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Trad. Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.

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Disponível em: http://faculty.plattsburgh.edu/richard.robbins/nicky_mickey_and_barbie.htm. Acessado em 25 de setembro de 2011.

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SALGADO, Raquel. O brincar e os desenhos animados: um diálogo com os super-heróis mirins. Entrevista Ponto e contraponto, 2005.

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WARDE, A. Consumers, identity, and belonging: reflections on some theses os zygmunt Bauman. Nova York: Routledge, 1994.



[1]  Os termos que aparecem entre aspas foram, na verdade, emprestados de Giroux (2004). 
[2] Vê Giroux (1988; 1994; 2004).
[3] Vê Giroux (1988; 1994; 2004).

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